Viagem Interior: Patricia Ruhman Seggiaro revela os bastidores de seu primeiro livro

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“Destino Varanasi” (258 pág.), o primeiro romance da escritora e advogada Patricia Ruhman Seggiaro, (@destino_varanasi), nos conduz por uma intrigante jornada pela Índia ancestral, onde os personagens principais, Nina, Pedro, Noah e Vishnu, buscam respostas para questões universais sobre destino, redenção e a busca pela felicidade. A obra, lançada pela editora Claraboia, explora os desafios enfrentados pelos protagonistas ao longo de 15 locais emblemáticos na Índia, enriquecendo a narrativa com cores, aromas e sabores. Patrícia revela a espiritualidade e tradições da Índia como a personagem principal, tecendo uma trama que reflete sobre a vida, suas feridas e a busca pelo significado.

Nascida em São Paulo, Patricia Ruhman Seggiaro é uma advogada apaixonada por literatura, história, arte e natureza. Sua inspiração para “Destino Varanasi” surgiu de um evento transformador em sua vida, quando o tempo livre resultante de uma mudança em sua carreira coincidiu com a descoberta do diário de viagem de sua mãe à Índia. O diário, escrito na década de oitenta, serviu como inspiração para a viagem de Patrícia à Índia com sua família, marcando o início de uma jornada criativa inesperada. Patricia, que se considerava não criativa, encontrou na multiplicidade cultural e religiosidade indiana a faísca para sua expressão artística, culminando em “Destino Varanasi” e apontando para futuras obras em seu horizonte criativo.

O que motivou a escrita do livro?

Sempre encontrei nas palavras um grande instrumento, seja em sua forma oral ou escrita. Desde pequena desfrutava expor as minhas ideias, ser representante da classe, defender posições. Não é coincidência ter escolhido bem jovem a carreira do direito. Amo ler, posso passar horas e horas e horas imersa no prazer da leitura.

Porém, nunca me considerei uma pessoa criativa apesar de ter muitas pessoas talentosas à minha volta.

Olhando para trás, detecto a conjunção de 3 fatores que me levaram a escrever este romance já há 4 anos atrás. O principal, o básico, foi que, pela primeira vez na minha vida adulta tive tempo! No fim de 2019 meu principal cliente  e que demandava grande parte do meu tempo laboral concretizou uma fusão corporativa com outro grupo, depois de vários anos trabalhando intensamente já não precisavam dos meus serviços profissionais.

O que em um primeiro momento foi desilusão, logo se transformou em uma grande oportunidade. Decidi que em vez de fazer sudoku ou passar quatro horas por dia lendo, eu necessitava de um novo projeto.

Mesmo assim, a decisão não foi puramente intelectual. Meses antes a minha mãe faleceu, era historiadora e dona da biblioteca de casa. Ela viajou à Índia quando eu tinha uns 20 anos, nunca esqueci seus relatos orais e aqueles transcritos em suas cartas. Ela também escreveu um diário de viagem; mais de 30 anos depois foi usado como guia para planejar a nossa viagem familiar à Índia. É a ela a quem dedico este livro. O terceiro fator foi uma viagem à Índia.

Quais são as suas principais influências literárias? 

De forma geral, Salman Rushdie, Margaret Atwood, Jorge Luis Borges, Leon Tolstoi, Truman Capote, Marcos Aguinis, Mario Vargas Llosa, Marguerite Yourcenar, Junichiro Tanizaki e Philippe Claudel. 

Mas falando especificamente das influências diretas para Destino Varanasi,  Esta Noite a Liberdade de Dominique Lapierre e Larry Collins; Os Filhos da Meia Noite de Salman Rushdie; A Luz da Ásia de Edwin Arnold,; A Princess Remembers: The Memoirs of the Maharani of Jaipur de Gayatri Devi; e Santa Rama Rau e o Deus das Pequenas Coisas de Arundhati Roy.

Este é o meu primeiro romance, escrevo também contos e notas de índole cultural.

Se você pudesse resumir os temas centrais do livro, quais seriam?

É um romance, trata-se de uma ficção. O personagem principal é a Índia. A história se concentra em três pessoas de diferentes origens e culturas, cada uma empreende uma viagem à Índia por razões diversas, desejosos de esquecer ou superar seus próprios traumas. E a Índia os recebe com seus próprios planos.

É uma história de espiritualidade e tradições, de diferenças e aproximações. De aromas, sabores e cores que confluem em Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, e ao Ganges imortal.

Por que escolher esses temas?

Estive na Índia com a minha família poucos meses antes da pandemia do covid. Com o transcurso dos dias e durante quase um mês removemos pouco a pouco várias de suas camadas tentando descobrir a riqueza dessa civilização milenar, repleta de contrastes. Acho que todas as viagens impactam em cada um de distintas formas. Poderia dizer que esta viagem em particular foi uma imensa sacudida, tocou fundo em cada um de nós. No meu caso, provocou a erupção de uma criatividade interna até então desconhecida para mim.

Como você definiria seu estilo de escrita?

Especificamente no caso de Destino Varanasi, um dos objetivos principais foi transportar o leitor aos lugares onde transcorre a trama e fazer com que pudesse “sentir” realmente a complexidade e riqueza da Índia. Para isso tive que ser descritiva, mas em todos os momentos tomei o cuidado de não exagerar pois como leitora valorizo a objetividade e fluidez da trama, assim como a relevância de um desenlace significativo.

Como é o seu processo de escrita?

Tento dedicar uma média de 4 horas por dia ao projeto de escrita, que inclui também muita investigação (o que adoro fazer!), leitura, busca de inspiração em imagens, filmes, música.

Quando decido escrever algo em concreto, elaborar metas, cronograma, tomo o mesmo compromisso como se estivesse produzindo o melhor trabalho possível para um dos meus clientes. Só que neste caso sou ainda mais exigente pois me considero o meu próprio cliente.

O que vem por aí?

Continuo escrevendo contos e notas culturais que espero poder publicar em algum momento. Também tenho começado um segundo romance, provisoriamente “on hold” até que Destino Varanasi encontre seu caminho no mercado brasileiro e me libere mentalmente para dedicar-me a este novo projeto.

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