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“50 Tons de Liberdade” já é um dos piores filmes de 2018. Em fevereiro…

Por ofício (e um pouco de masoquismo), acabo tendo que ver todo o tipo de filme, mesmo deixando do lado de fora da sala de cinema, os meus gostos ou o feeling – preciso – do meu juízo de valor sobre o que me espera. Tem sido assim com a franquia Transformers, Piratas do Caribe e… 50 Tons de Cinza. Engulo o suplício e por amor ao cinema e o prazer do ofício, assisto. Com alguma pontinha de esperança de ser surpreendido. Ou ao menos, não “doer” tanto. Fechando a trilogia do best seller muito, mas muito ruim, de E. L. James, 50 Tons de Liberdade não melhora o já pedestre livro. O que seria uma missão impossível.

Não há história nenhuma. Nitidamente, a autora (?) não esperava o sucesso arrebatador de seu primeiro livro e resolveu transformá-lo numa trilogia, mesmo sem estofo para tal. O terceiro e último filme deixa isso (irritantemente) claro. Saca a história: após o casamento, o bilionário sadomasoquista Christian Grey (Jamie Dornan) e a tímida Anastacia (Dakota Johnson) precisam se adequar a vida a dois, em seus universos. Até que um personagem do filme anterior, que vem a ser ex-chefe da mocinha, resolve voltar para se vingar de ações do passado. A sombra desse passado, junto com os traumas emocionais de Grey, acabam sendo o grande drama conjugal, em meio a muitas cenas de sexo masoquistas.

A autora do livro também assina como produtora e parece fazê-lo com mãos de ferro. Tanto que se desentendeu com a diretora do bom (ou menos pior?) primeiro longa, Sam Taylor-Johnson – e nesse último filme, colocou o marido, Niall Leonard, como roteirista.

O que já era ruim, partindo do segundo filme, ficou muito pior. O roteiro segue a linha do livro: diálogos infantis (os conflitos pessoais do casal parecem escritos para o Hanna Montana), falta de desenvolvimento do que se propõe, situações absurdamente inverossímeis (o vilão entra na empresa e na casa do bilionário com uma facilidade inexplicável!) e uma fetichização do lifestyle de riqueza e viagens do casal, mas total plastificação das cenas de sexo, que de tão mecânicas, verte o tesão em sono. A própria maneira como as cenas são inseridas na história é muito aleatória, quase num exercício de filme privé das madrugadas do Multishow (pelo menos lá tem algum suor!).

50 Tons de Liberdade soa muito como aqueles telefilmes baratos que de vez quando aparecem na TV, com todos os deméritos que isso implique, incluindo a direção de James Foley, submissa às limitações gritantes do texto. Mas a grande comprovação do quanto o longa é ruim, está numa das primeiras cenas, quando, após o casamento, Christian leva Anastacia até um jatinho particular, com o qual partiriam para lua-de-mel. No terceiro filme da franquia, depois de tudo o que eles já viveram e sabem um do outro, ela pergunta surpresa: “Você tem um avião?“. Sem mais!

Filme: 50 Tons de Liberdade (Fifty Shades Freed)
Direção: James Foley
Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Eric Johnson
Gênero: Romance/Erótico/Drama
País: EUA
Ano de produção: 2018
Distribuidora: Universal Pictures
Duração: 1h 46 min
Classificação: 16 anos

Publicado por Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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