Animais Unidos Jamais Serão Vencidos!

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Enquanto chovia horrores na capital paulistana, enquanto os jornais noticiavam os enormes estragos e acidentes que a chuva tem causado por aqui, saio de casa para assistir a um filme infantil que retrata, justamente, a falta de água em um lugar que seria o último paraíso natural da Terra. Bem, relatadas as variáveis externas e irônicas daquele dia, falemos de Animais Unidos Jamais Serão Vencidos!, animação produzida na Alemanha, a ser lançada em 18 de março nos cinemas brasileiros.

Devo ressaltar, já de cara, a maravilhosa estereoscopia do filme. Realmente, em termos de tecnologia 3D a animação da PlayArte arrasou! Mas, a história não surpreende. Aliás, surpreender parece ser uma palavra cruel e, certamente, está fora do vocabulário do cinema mundial, atualmente (e, pasmem, posso não estar falando apenas de animações). Então, recomecemos a análise sem adjetivar. O roteiro do filme é uma adaptação de uma fábula escrita por Erich Kästner a, aproximadamente, 60 anos atrás, que se  chamava “A Conferência dos Animais“. Trata-se, ao menos no filme, de uma ação liderada por um simpático suricato preto chamado Billy, que busca trazer água de volta ao Delta de Okavango na África e, assim, salvar a sua família e todos os outros animais que estão morrendo de sede.

Enquanto o suricato e seu melhor amigo Sócrates – um leão vegetariano – partem na tentativa achar água, os humanos se reúnem em uma grande Conferência de Mudanças Climáticas em um hotel luxuoso perto do Delta. Assim, também os animais decidem realizar uma Conferência, a Conferência dos Animais. E, assim, unem forças para destruir a barragem construída pelo dono deste hotel, que está impedindo a passagem da água para o Delta, o último paraíso natural da Terra.

Os personagens são excêntricos, porém, nada originais, como, por exemplo, o leão Sócrates que, assim como no consagrado Madagascar da DreamWorks, é vegetariano. O grupo principal também é composto, curiosamente, por um galo gaulês chamado Pierre, que vive proclamando amor à liberté, e também por um demônio da Tasmânia e um Canguru, que se encontram neste paraíso africano após fugirem de seus habitat naturais já destruídos pelo homem. E é claro, o vilão tinha que ser um caçador malvado que quer acabar com todos os animais e expor suas peles como tapetes ou poltronas em sua casa.

E assim o filme caminha ressaltando a destruição causada pela ambiciosa raça humana e também a decisão dos animais de que o controle da Terra não ficará mais apenas nas mãos dos homens. Os papéis se invertem, de certa forma, no filme: em alguns momentos é possível refletirmos e considerarmos que o lado selvagem, instintivo do homem está, realmente, aflorado desde as pequenas ações que realizamos no cotidiano sem, ao menos, pensar em suas conseqüências. E então, já que o homem não mais relaciona causa a efeito – justamente a condição que o tornava um ser racional e, portanto, humano -, resta aos animais (selvagens por definição construída a partir da percepção do animal como outro contrário a nós, civilizados) representarem o papel de seres racionais preocupados com a vida no Planeta.

Parece que Reinhard Klooss e Holger Tappe, os diretores da animação tiveram mesmo dificuldade em adaptar o velho conto de Kästner aos tempos pós modernos de hoje, como já haviam declarado certa vez. Mas, bem-humorado e com perfeita tecnologia 3D, Animais Unidos Jamais Serão Vencidos! não deixa de ser um bom passatempo para os pupilos deste Brasil Baronil.

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4 thoughts on “Animais Unidos Jamais Serão Vencidos!

  1. Florzinha querida, lendo sua resenha notei uma gaffe: o Alex, o leão de Madascar, em nenhum episódio da série se define como vegetariano. Ele experimenta a alga do Marty mas no final do primeiro filme ele descobre que ha peixes para se comer. Durante o Madascar 2 os roteristas trataram de colocar uns frangotes ou pequenos mamífres (que podem ser vistos abundantemente quando das cenas num deserto) que podem, sim, justificar o motivo pelo qual o Alex não deseje saborear a carne do Melman ou do Alex. Fora este detalhe concordo com a falta de criatividade dos roteristas estão mesmo é tratando de produzir filmes fofuchescos sem sal disfarçados de mensagem ecológicamente corretas para tentar a sorte nas bilheterias mundiais.

  2. Não sei, mas pelo que você falou, do filme ser adaptado de uma obra dos anos 60, acho que era original na época.
    Abraços e ótima resenha.

  3. eu tenho um trabalho sobre esse filme