As Bestas: um thriller intenso na Espanha rural

Produção franco-espanhola promete fortes emoções
As Bestas: um thriller intenso na Espanha rural – Ambrosia

O filme “As Bestas” começa nos contando sobre uma tradição na região rural da Galícia: antes de soltar os animais para as montanhas, fazendeiros da região costumam fazer “a rapa das bestas”, isto é, raspar as crinas dos animais para evitar a proliferação de pragas como carrapatos. Rapar um animal é aceito, mas seria ceifar uma vida também bem visto no local, desde que as motivações dissessem respeito a todos os moradores? É esta pergunta que norteia o desenrolar da trama.  

Antoine (Denis Ménochet) é um agricultor francês cultivando terras espanholas junto de sua esposa Olga (Marina Foïs) e do cão Titán. A animosidade para com os vizinhos espanhóis – que chamam Antoine simplesmente de “o Francês” – é constante e, pior, crescente. Eles sabotam a plantação de Antoine quase ao mesmo tempo em que ele começa a gravar suas interações com os vizinhos com uma câmera escondida na jaqueta.

Até que um dia morre Breixo (Gonzalo García), pastor de cabras, e seu sobrinho herda tudo, inclusive o poder de voto do tio numa questão polêmica no vilarejo: a possível instalação de uma usina eólica no local, que divide os moradores. Antoine votou contra a usina eólica, mas sofre pressão para que mude seu voto. E é isso que desagrada seus vizinhos, os irmãos Anta: que Antoine, que mora há menos tempo que eles no vilarejo, tenha o mesmo poder de decisão sobre a questão que tanto os aflige, pois o dinheiro pago pela empresa da usina daria a eles a oportunidade de uma vida nova. E depois de uma caminhada tensa na floresta ao lado dos irmãos Anta, Antoine desaparece.

As Bestas: um thriller intenso na Espanha rural – Ambrosia
As Bestas: um thriller intenso na Espanha rural

Com 138 minutos de duração, o filme por vezes se arrasta, mas ao mesmo tempo não consegue desenvolver toda a história. Por exemplo: por duas vezes é mencionado que Antoine realizava serviços de reformas de casas sem cobrar dos moradores, mas isso não é explorado mais a fundo. Seria interessante ver se estes moradores estariam do lado de Antoine na questão da usina eólica, bem como seria bacana ver a reação deles ao desaparecimento do agricultor.

Além da tensa caminhada na floresta, outro ponto alto do filme é a discussão entre Olga e a filha Marie (Marie Colomb), que termina com Olga dizendo: “eu espero que um dia você saiba o que é amar e deixe de ser medíocre”. Nos 45 minutos finais, com o desaparecimento de Antoine, o protagonismo do filme é entregue a Olga, o que é uma boa escolha. Atuando em espanhol – língua que teve de aprender para filmar – e francês, Marina Foïs mostra mais uma vez seu talento e inclusive tem seu nome em primeiro lugar nos créditos.

Co-produção franco-espanhola, “As Bestas” ganhou o prêmio francês César de Melhor Filme Estrangeiro e na Espanha levou nove prêmios Goya, incluindo Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Trilha Sonora Original, Edição e Ator Protagonista para Denis Ménochet.

As Bestas: um thriller intenso na Espanha rural – Ambrosia
As Bestas: um thriller intenso na Espanha rural

O roteiro foi escrito a quatro mãos por Isabel Peña e o diretor Rodrigo Sorogoyen, sendo que eles se inspiraram em uma história real que já havia ganhado as telas do cinema através do filme “Santoalla”, de 2016. Sorogoyen já foi indicado ao Oscar por seu curta-metragem “Madre”, de 2017. Isabel Peña já havia, em 2020, criado em parceria com Sorogoyen a série de TV “Antidisturbios” e, com o sucesso, repetiu a parceria neste filme.

Vencedor do prêmio de elenco no Festival Internacional de Cinema de Chicago, com o prêmio veio uma poética justificativa que resume bem o filme e seus méritos: “Raramente testemunhamos performances tão autênticas e poderosas de um elenco inteiro. Os personagens atacam uns aos outros e ainda assim, quando você menos espera, aqueles que você aprendeu a desprezar de repente trazem você ao mundo deles, fazendo com que entenda suas agruras e raiva para com o mundo. Onde performances menores nos legariam tropos de polarização do bem contra o mal, aqui atores com maestria nos trazem para dentro de suas interpretações hipnóticas como violinistas virtuosos, o que nos faz sentir suas lutas internas como uma sinfonia de emoções”.

As Bestas

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