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Batman e a sina da trilogia

São duas semanas de críticas positivas e bilheteria fantástica. Um filme quase perfeito para alguns e totalmente indicado para todos que assistiram os outros dois filmes dirigidos e escritos por Christopher Nolan. O resumo do filme todos sabem e portanto eu vou pular esse detalhe e me focar nos pontos que deveriam ser analisados com mais calma por fãs, cinéfilos e leigos que andam dizendo que esse filme merece entrar na lista de melhores filmes do Oscar.

Batman e a sina da trilogia | Filmes | Revista Ambrosia

Para isso, infelizmente, preciso dar detalhes – hoje em dia conhecidos como spoilers. Se você ama sua experiência cinematográfica, deixe de ler esse artigo para depois que você assistir o filme.

Para começar, e entender o título, a sina da trilogia é conhecida no mundo cinéfilo desde filmes como Poderoso Chefão, Guerra nas Estrelas, Evil Dead, Rambo, Rocky e tantos outros que eram trilogias até serem expandidos em mais outras trilogias ou sequências. O terceiro filme sempre é o mais fraco da série e aqui a sina segue se comprovando (antes que defensores da trilogia do Senhor dos Anéis venham gritando, sim, o segundo foi o mais fraco dos três, toda regra tem suas exceções).

O filme realmente é muito bom e tem diversos momentos dignos da trilogia de Nolan, entretanto quando chegamos a conclusão, no momento em que era para que tudo se amarrasse, surge um deux ex machina na forma de Talia Al Ghul (Marion Cotillard) e uma longa explicação de como ela foi criada em uma prisão, salva por Bane e agora se vingando de Gotham City devido a morte de seu pai, Ra’s Al Ghul e para terminar sua obra. Percebe-se que os planos de Ra’s eram em verdade o ponto focal da trilogia desde o começo e quando nos distanciamos dele no segundo filme, surge o melhor filme da franquia. Isso significa algo importante.

O caráter imortal de Ra’s é tratado como se ele fosse uma idéia, uma sombra que sempre esteve sobre Batman e a vida de Bruce Wayne. Talvez a idéia de Nolan fosse tornar o caos criado pelo Coringa no segundo filme um catalisador para a continuação, mas a morte de Heath Ledger fez com que essa idéia fosse diminuída. Ainda assim, percebe-se que o Batman de Nolan deixa de ser quem era, preso a morte de Rachel e ao descontentamento com suas próprias escolhas, vivendo por 8 anos em total reclusão.

Personagens que são exemplos de caráter e perseverança, como Batman, podem fraquejar em alguns momentos, hesitar, mas sempre devem superar tais problemas. Esse era o ponto focal do primeiro filme e aqui ele simplesmente foi repetido, usando-se a Liga das Sombras como pretexto para que Bane soubesse tudo sobre Bruce Wayne e trazer anarquia a cidade de Gotham com o pressuposto de entregá-la de volta ao povo e tirar o poder dos ricos. Um comunismo destinado a destruição e deterioração. Em alguns momentos o que se viu foi uma adaptação do que acontece nos quadrinhos na história de O Messias, escrita por Jim Starlin e publicada no final da década de 80.

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Naquela história, um homem reúne os pobres e abandonados da cidade, usando-se de drogas e religião, para tomar a cidade, expulsar Batman e se declarar o libertador de Gotham. No filme Bane é tratado como alguém movido pelo fogo da religião, da crença e que ao primeiro momento em que vê seus planos caindo, com a volta de Batman a cidade, começa a perder sua fé. Isso é visível em Bane, mesmo com a incapacidade de Tom Hardy em atuar com aquela máscara em seu rosto. Me desculpem aos crítios que disseram que ele podia atuar daquela forma. Ele não pode e não ficou bom. Foi um designe mal feito e mal adaptado. Outro vilão do segundo escalão poderia ter sido usado e isso possibilitaria um novo tipo de interpretação.

Talvez o maior problema deste Batman não esteja nem tanto no aspecto de roteiro e história, mas sim no aspecto técnico. Edição, edição de som e cinematografia foram preguiçosas e cheias de clichês sem contar nas interpretações um tanto quanto desconexas.

Da mesma forma que se pode aplaudir Anne Hathaway por interpretar uma Mulher Gato que foge dos padrões criados nos outros filmes sem perder sua sensualidade e esperteza, bem como Joseph Gordon-Levitt que interpreta o policial Blake com intensidade e força de caráter. São personagens bem desenvolvidos em toda trama e que nos deixam com um gosto de quero mais.

Em contraponto, Tom Hardy, pela incapacidade de falar e se expressar, Marion Cotillard por pura preguiça já que é uma ótima atriz e Christian Bale decepcionam monstruosamente em seus papéis. Batman não é para ficar fazendo caretas enquanto luta ou está nas mãos do inimigo. Bale tenta incorporar tanta intensidade em seus momentos sem capa que fica sério demais, exagerado demais, falso demais. O restante do elenco, no caso, Morgan Freeman, Gary Oldman e Michael Caine aparecem apenas para dar uma noção de continuidade.

Quanto a redublagem de Tom Hardy para a voz de Bane, que ficou péssima nas gravações originais, mostra duas coisas: atuar hoje em dia com uma máscara grudada na sua cara é para poucos, especialmente uma que sequer permita que você consiga falar e atuar usando expressões faciais ao mesmo tempo. Hardy não é um péssimo ator, mas ainda falta muito para que ele aprendesse a sair dessas enrascada usando seus olhos e expressões corporais, praticamente nulas nele que devia estar travado de tanto que teve de ganhar peso para o papel. Assim, o som original sofreu um grande dano a todo momento em que Bane tinha que falar.

A edição do filme também foi um tanto quanto cansativa. Talvez algumas cenas cortadas ou melhor editadas tivessem criado uma melhor dinâmica para o público. Não há a plena sensação de passagem do tempo em que o filme supostamente passa. Um dia, Bruce Wayne está preso, sem barba, no outro, a barba de um heremita, pronto, isso significa que se passaram alguns meses. Enquanto isso os outros detentos todos de barba bem feita. Deve ter sido uma ordem de Bane: Nada de Gilletes para o Bruce.

Mesma coisa em Gotham. “Olha, está nevando, deve ser inverno. Olha, está com Sol, deve ser verão.” Clichês de passagem de tempo que só servem para idiotizar o público. Simplicidade é muito mais interessante nesse momento. E aqui eu culpo Hans Zimmer que mostrou preguiça em sua trilha repetindo constantemente aquele tema com o coral e o teminha criado para os outros filmes. Nada de originalidade e distinção. Parece que para onde se ia, um coral estava em cima de um caminhão se esgoelando pela cidade. Não funcionou com o tipo de filmagem de Nolan e simplesmente só funcionaria em um filme com um cinematógrafo e diretor mais inspirados e com liberdade.

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Ainda assim, há claros momentos de inspiração, especialmente na perseguição do primeiro retorno de Batman quando ele aparece e tudo se escurece, meio que levando a escuridão consigo e trazendo medo e toda a superstição que o envolve. Mas aquele momento logo desaparece e o ordinário volta a comandar.

A Warner é conhecida por amarrar diversos aspectos de seus filmes, especialmente aqueles baseados em heróis da DC e por mais que digam que Nolan teve liberdades, ele foi forçado a fazer um filme com censura 12 anos.

Bane mata alguém quebrando seu pescoço: Faça isso com a câmera a distância ou fora de foco. No tiroteio na parte final, as armas falsas dos extras sequer estava disparando munição falsa. Se filmar a boca de alguns dos extras, com certeza eles estavam fazendo: Pow, pow, pow com a boca. Isso é culpa da vontade de pegar o filme e jogar ele na censura mais baixa possível e atrair graças ao sucesso que a Marvel conseguiu com seus filmes, mais infantis e mais desprentesiosos.

Muitos argumentam que a Warner/DC está pronta para uma Liga da Justiça. Ela não está até que os problemas com Superman e os outros heróis da editora sejam consertados e este Batman é um exemplo que Nolan não pode fazer filmes pretensiosos para uma produtora de mentalidade quadrada e conservadora.

Ainda indico o filme, mas sinceramente eu gostaria de esquecer que o filme terminou como terminou. É desprezar demais o trabalho maravilhoso que eles conseguiram nos dois primeiros filmes em prol do lucro e do público.

2 opinaram!

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  1. corcondo,hardy teria sido melhor como hugo strange,nolan estava aquem de sua capacidade nesse filme talvez a saida do david goyer contribui um para quye o filme fosse muito abaixo do que foi cavaleiro das trevas enfim e espera o reboot

  2. Em linhas gerais eu concordo com o que foi exposto aqui, uma coisa que vou divergir é sobre a atuação dos atores, creio que eles fizeram o que puderam diante de um roteiro tão equivocado que se mostrou uma verdadeira armadilha cênica, a edição do filme inteiro foi trágica,a duração do filme encurtada demais não só atrapalhou o ritmo mas amputou o filme,a impressão que se tem é que depois da história toda filmada o Nolan entregou o material para algum executivo sovina da Warner, então ele ficou sozinho na sala de edição e saiu cortando mais do que o Jack o estripador! Uma história daquela amplitude teria que ter no mínimo três horas e meia de duração para ser contada devidamente, mas penso que o interesse maior (Warner) era realizar um filme mais curto que rendesse mais exibições nas salas de cinema e, consequentemente, se equiparasse em lucros com o filme dos Vingadores, apesar de não terem usado o famigerado e desonesto 3D, eles queriam um filme bilionário de qualquer jeito e conseguiram! Não sabia da saída de Goyen da equipe, não me lembro de ninguém comentando na época, mandem um link para nos atualizarmos! Lamentei muito a atuação péssima de Marion, esperava muito mais dela, infelizmente Nolan sempre se mostrou um lamentável diretor de atrizes, vejo um desfecho muito melancólico da trilogia, TDKR é o primo palpérrimo dessa atual franquia, uma triste surpresa para fãs que tinham sido agraciados com dois extraordinários filmes anteriormente, o que gerou uma expectativa monumental em torno de Cavaleiro das Trevas Ressurge, algo que não se confirmou, Nolan e equipe fracassaram miseravelmente dessa vez!

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