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Belíssimo e frio, Anna Karenina reafirma o esmero de Joe Wright

Joe Wright é um artesão da imagem. Sua carreira vem se notabilizando com um arrojamento e um rigor estético que impressionam e se configuram quase como um personagem de seus (invariavelmente) belos filmes. Da poética literária de Jane Austen em Orgulho & Preconceito, até o vigor impactante (também baseado em livros, dessa vez em Ian McEwan) no excepcional Desejo e Reparação, passando por trabalhos mais regulares como O Solista ou saindo do lugar de conforto no subestimado Hannah. Ao transpor o classicismo de Anna Karenina para o cinema, mais uma vez, o cineasta esmerou-se numa transposição imagética deslumbrante, ainda que estoica e fria.

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Stephan “Stiva” Oblonsky (Matthew Macfadyen) está sofrendo uma crise no seu casamento. Sua esposa, Dolly (Kelly Macdonald), descobriu que o marido possui uma amante e pensa em divórcio. Tal ideia acaba se dissipando assim que Anna Karenina (Keira Knightley), irmã de Stiva, chega à Moscou e contorna tal situação. Anna vive em São Petersburgo com seu marido Alexei Karenin (Jude Law) e seu filho. Paralelamente a esta história, acompanhamos Konstantin Levin (Domnhall Gleeson), um homem do campo que se apaixona pela princesa Kitty Scherbatsky (Alicia Vikander), mas esta está apaixonada pelo conde Vronsky (Aaron Taylor-Johnson), um homem orgulhoso e sedutor. Até que todas as peças desse tabuleiro se interligam e Anna se envolve com Vronsky, fato esse que muda a vida de todos os envolvidos.

Ao transpor o clássico de Tolstoi esteticamente para dentro de um imponente teatro (numa opção corajosa e bem eficiente, por sinal), Joe consegue um resultado muitíssimo bem acabado e justificado. Talvez um dos poucos exemplos que, de fato, respeitam as vicissitudes do delicado encontro entre cinema e literatura, sob as vestes do teatro. As dimensões cenográficas são tão importantes quanto  as desinências dramatúrgicas de seus personagens. Essa conquista é o grande êxito do diretor, principalmente por não cair na reverência vil literária. O elenco apresenta lá seus contrastes com Keira, que sempre foi uma atriz estranhamente assertiva, aqui não ultrapassando a correção e Law não deixando claro se a passividade de seu personagem é uma composição ou apenas uma incorporação automática.  Taylor-Johnson vem trilhando seu caminho em Hollywood e cumpre bem sua função.

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Pode ser que falte calor humano à história de amor épica. O desenrolar das tramas acontecem de forma rígida e pragmática, principalmente diante de tamanha suntuosidade. Aqui e ali, Joe pinça momentos de clímax (e impecável beleza), mas o todo resulta bem frio e com apurado distanciamento, que, vamos combinar, absorve muito do que geralmente reflete a literatura russa em geral; mas somos tão seduzidos pela completude de tudo que o encanto acaba por aplacar qualquer julgamento. Bom paras nossas retinas.

[xrr rating=3.5/5]

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Publicado por Renan de Andrade

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