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Cinema em Casa: Alien – O Oitavo Passageiro

Existe uma série de filmes que são erroneamente rotulados por suas variedades de gêneros inclusos na trama. Alien, de Ridley Scott, é um desses casos. O horror futurista é tido por muitas pessoas como uma película voltada à ficção científica exclusivamente, quando, na verdade, esta característica é apenas um pano de fundo para um terror verdadeiro e cru, que vem de outro planeta. O filme, lançado em 1979, foi responsável pela criação de um dos maiores produtos de merchandising da indústria do entretenimento até os dias de hoje, gerando jogos de vídeo games, bonecos, colecionáveis, livros, quadrinhos, sequências e muito mais.

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Curiosamente, o título do filme refere-se ao antagonista da história, que permanece um grande mistério durante a maior parte da narrativa, o que só aumenta o grande suspense envolvendo toda a trama. Em 2009, Alien completa 30 anos de vida e é dele que vamos analisar os fatos.

Chegando ao projeto

ridley werewolfO diretor Ridley Scott, curiosamente, chegou ao projeto de Alien quando o bonde já estava bem adiantado. Quem começou tudo foi Dan O’Bannon, que já havia trabalhado num projeto semelhante 5 anos antes com John Carpenter, chamado Dark Star. Ele percebeu que a febre de Star Wars, e somado isso ao seu desejo de construir um novo filme de alienígenas com um foco diferenciado, ficou claro que Alien deveria se tornar realidade. Ele afirmou em várias entrevistas que suas influências – ou seus “roubos” como ele sempre brinca – surgem dos maiores clássicos de monstros da década de 50, algo que qualquer fã desse estilo consegue perceber claramente na película.

A 20th Century Fox havia liberado um orçamento de 4.2 milhões de dólares, mas toda a produção visual fez com que ele fosse dobrado. Ridley Scott foi chamado como uma das últimas opções, e chamou a atenção por seu trabalho em seu primeiro filme, The Duellists. Scott garantiria que o filme não fosse considerado como uma produção “B” pela Fox, e traria a seriedade necessária para os desejos de O’Bannon.

A História do Filme

Na história, uma equipe de 7 pessoas percorrem o espaço numa nave comercial chamada Nostromo, uma inteligência artificial que tem como único objetivo: cuidar da tripulação e das mercadorias que transporta, bem como seguir as ordens que recebe e dar conhecimento necessário aos presentes. Na equipe estão Dallas (Tom Skerritt), Ripley (Sigourney Weaver, o maior símbolo do filme depois do próprio Alien), Ash (Ian Holm), Parker (Yaphet Kotto), Brett (Harry Dean Stanton), Kane (John Hurt) e Lambert (Veronica Cartwright, na época bem experiente com filmes de horror). Rumando ao planeta Terra com a mercadoria que foram contratados para buscar, os 7 passageiros da Nostromo recebem um estranho sinal que parecia ser um SOS vindo de um planetóide próximo e resolvem ir até ele fazer reconhecimento e tentar descobrir do que se tratava o chamado.

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Com o descobrimento de que o chamado não era de SOS, mas sim um aviso, toda a vida dessas 7 pessoas mudaria para sempre – e bem longe de casa! Kane descobre corpos alienígenas em formas jamais imaginadas antes, e aprofundando-se em sua missão de reconhecimento ele descobre ovos de vidas alienígenas até ser atacado por um filhote. Levado de volta à nave, ele é estudado por Ash, o cientista presente, que fica maravilhado por ter este grande contato direto com uma vida extraterrestre. O ser funciona como um parasita, que induziu Kane a um coma e se alimenta dele.

O parasita nutre-se de corpo de Kane, que acaba morrendo com ele saindo de dentro de seu estômago – numa das cenas mais clássicos do cinema de terror – e tornando-se um medo conjunto dos atores e dos telespectadores. Mais adiante, Ripley descobre que Ash era um robô enviado pela empresa que lhes contratou, para que ajudasse a vida alienígena a chegar à Terra e eliminar toda a tripulação.

O resto é história, afinal, não vamos contar o fim do filme aqui, não é mesmo? =D

Design e arte visual

Uma das características mais interessantes de Alien é o seu visual revolucionário, fortemente calcado nas fantásticas imaginações de Stanley Kubrick e Arthur Clarke anos antes com 2001, mas de uma forma muito mais avançada e suja, garantindo realidade e credibilidade a uma forma de vida fora da Terra – tanto para a tripulação que passa meses dentro de uma nave gigantesca como para a própria vida alienígena – que nunca havia sido imaginada.

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O’Bannon, já com Scott dentro do projeto, mostrou alguns trabalhos do artista visual H.R. Giger, até chegarem ao impressionante desenho chamado Necronom IV, uma imagem totalmente endemoniada (como o próprio nome já sugere) e que se baseia muito no estilo de William Blake. A imagem deu a idéia perfeita de como seria o antagonista da obra. Mas a monstruosidade da figura não acabaria aí – na verdade, estava apenas começando. O filhote do ser extraterrestre teria que ser tão assustador quanto ele mesmo. Portanto, um trabalho em cima desse parasita precisava ser feito, chegando-se a conclusão de uma forma de arraia bizarra, construída com vísceras de carneiros, restos de peixes e muitas outras partes de animais e materiais sintéticos, que dariam o aspecto necessário para que aquilo realmente parecesse um parasita protegido por si mesmo e muito ameaçador.

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A 20th Century Fox tinha muito medo de dar essa liberdade criativa aos envolvidos no projeto, pois temiam que tamanho horror poderia prejudicar muito o filme por correr o risco de afastar o público ao invés de atrai-lo. Felizmente, a produção venceu e, como se sabe, tudo isso só ajudou para a popularização da marca e, principalmente, da imagem do monstro, que é conhecida até hoje por muitas gerações.

O planetóide em que viviam os aliens não é nomeado em momento algum do filme, mas no script ele tinha o nome de Acheron – este é o nome de um afluente do rio Styx na mitologia grega, que também forma as bordas do Inferno na história criada por Dante Alighieri. Na sequência do filme, bem como no universo expandido da história, o planetóide é chamado de LV-426.

Um dos detalhes mais curiosos de toda a história visual de Alien é o fato de que o monstro final foi totalmente escondido dos atores até os momentos finais das filmagens, quando ele apareceria para todos, para que então o diretor e toda a produção pudessem pegar a surpresa dos atores ao estarem diante daquele ser de mais de 2m de altura e todo obscuro, dentro de um set de filmagem claustrofóbico e nojento. Realmente uma sacada perfeita da produção, pois os sustos que se leva ao ver o filme são reais!

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Impressões Pessoais

Assistir à Alien: O Oitavo Passageiro é como ter uma experiência de terror psicológico e silencioso em sua casa. Uma das coisas mais sensacionais desta película são os momentos de silêncio absoluto dela, apenas com o visual funcionando como a narrativa principal, o que prepara o espectador para ser surpreendido pelos momentos de susto que ele causa. A chega do Alien à nave é aterrorizante e, mesmo exatos 30 anos depois, é impossível não sentir frio na barriga em determinados momentos.

Scott opta por dirigir o filme com essa proposital lentidão silenciosa para, justamente, cutucar o psicológico do espectador, deixá-lo dentro de um ambiente hostil e extremamente claustrofóbico, como jamais fora visto antes. As recomendações para apreciar a obra de Alien são assisti-la bem à noite, sozinho, de cabeça limpa e preparada para adentrar a um mundo como jamais visto antes – o espaço como um terror infinito.

Recepção e Premiações

O legado que Alien deixou para o cinema foi rapidamente reconhecido em sua época, garantindo-lhe indicações ao Oscar (Melhor Direção de Arte, Efeitos Visuais, o qual venceu), sem falar na quantidade de Saturn Awards que também venceu e até um Grammy como melhor Trilha Sonora de um Filme. Seu faturamento ultrapassou os 100 milhões de dólares, um valor altíssimo para a época.

Imagem Sexual

Ter Sigourney Weaver como a grande força psicológica e até física no filme serviu para mostrar uma igualdade sexual que jamais havia sido mostrada em qualquer outro filme na história do cinema – colocando-a como um ser resistir, Scott e toda a produção consegue dar uma mensagem de cunho de igualdade sexual a todo o mundo, dando a todos o prazer de ver uma mulher forte e decidida em ação.

A tomada de Kane pelo parasita alien também simboliza uma forma de estupro masculino que dará luz ao nascimento de um novo ser, cujo único objetivo é a sobrevivência e adaptação em qualquer ambiente. E puxando o assunto do alienígena é curioso perceber que a criatura é totalmente andrógena, brincando com o arquétipo do ser “monstro” não ter gênero sexual.

Fechando nossa crítica, fica um detalhe curioso: fanáticos religiosos queimaram modelos, propagandas e muitas outras relacionadas ao filme por acreditarem que tamanho monstruosidade era um trabalho do demônio. Sendo do demônio ou não, o terror e a riqueza de detalhes de Alien garantem uma experiência única, que vale a pena ser presenciada, pesquisada e estudada com muito afinco, pois sua mitologia ainda é uma fonte de inesgotável informação e criatividade para um lugar que o homem ainda sonha: o mistério do espaço.

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