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“Colegas” peca por subestimar seu próprio potencial

Alguns pontos justificam a excessiva expectativa que Colegas suscitou quando estreou nos cinemas, há algumas semanas. Primeiro o tema em si (a desmitificação da Síndrome de Down), depois os problemas de produção que gerou e ainda os vários prêmios que ganhou em diversos festivais. Porém, a decepção com o resultado chega a ser incômoda com tantos elementos isolados que renderiam um bom filme.

O filme retrata uma experiência fantástica na vida de três jovens especiais Stallone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pook) e Márcio (Breno Viola), amigos que viviam juntos numa instituição voltada para portadores de síndrome de Down. Um certo dia Stallone que sempre foi apaixonado por cinema, teve a ideia de (assim como no filme Thelma e Louise), pegar um carro e sair estrada a fora com seus amigos. Quando o jardineiro (Lima Duarte) estava ocupado em seu quarto, pegaram o carro e saíram em busca dessa aventura fazendo assim, um pacto que só voltariam depois de cada um realizar um sonho: conhecer o mar, se casar e voar.

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A proposta é interessante e reafirmo que abriria caminhos vastos e inéditos para o nosso cinema, muito pela total falta de cuidado com o que aqui chamarei de acabamento de roteiro. As situações são forçadas para justificar sua estrutura (um tanto capenga de road movie), que para alguns pode ser denominado apenas como uma opção estética, mas que não passa de um desserviço para seu próprio discurso: o universo dos portadores de Síndrome de Down acaba sendo tratado com uma espécie de comiseração lírica para esconder sua deficiência como cinema. Uma pena mesmo…

[xrr rating=2/5]

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