20151117 como sobreviver a um ataque zumbi
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“Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” faz rir com os clichês de filmes de mortos-vivos

Não tem jeito. Os zumbis estão mais “vivos” do que nunca na cultura pop. Basta ver que eles estão em todos os lugares, sejam em livros ou na TV (cujo maior representante é a consagrada “The Walking Dead”, que está atualmente na sua sexta temporada) e, especialmente, no cinema. Basta ver que, a cada ano, sempre é lançado um filme sobre essa temática com bons resultados (“Guerra Mundial Z” e “Extermínio”, por exemplo) e outros nem tanto (como alguns da franquia “Resident Evil”). A mais recente cria deste filão está mais preocupada em fazer os espectadores rirem do que sentirem medo no escurinho do cinema. Com um humor às vezes infantil, às vezes bastante ousado, “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” (“Scouts Guide to the Zombie Apocalypse”) até consegue o que deseja, apesar de algumas falhas no roteiro que quase comprometem a diversão.

A história começa como a maioria das produções recentes sobre zumbis. O faxineiro Ron (o comediante Blake Anderson), durante a limpeza de um laboratório de pesquisas, acaba fazendo uma tremenda confusão e libera uma espécie de vírus que faz os mortos voltarem à vida e transforma as pessoas que são infectadas, numa sequência bem divertida. Logo em seguida, somos apresentados a Ben (Tye Sheridan), Carter (Logan Miller) e Augie (Joey Morgan), que são escoteiros desde que eram crianças, embora os dois primeiros estão pensando na possibilidade de deixar os acampamentos na floresta de lado para se tornarem mais populares entre as garotas.

Só que não demora muito para os três amigos descobrirem que vão precisar usar todo o conhecimento adquirido (e alguma sorte) para escaparem de um exército de cadáveres ambulantes, que estão famintos e furiosos. O trio acaba contando com a ajuda da bela garçonete Denise (Sarah Dumont) para lutar contra essa ameaça, ao mesmo tempo em que tentam salvar a irmã de Carter, Kendall (Halston Sage), antes que algo de pior aconteça na cidade.

Com um argumento pra lá de batido, “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” serve como um simples e descompromissado passatempo, que não se leva a sério em nenhum momento. Assim, as piadas vão surgindo na tela, uma atrás da outra num ritmo até frenético, em situações que nem sempre fazem muito sentido. Um exemplo disso é quando ressurge um personagem que havia desaparecido da trama e um dos protagonistas chega a questionar como isso aconteceu. É uma pena, no entanto, que a pergunta fique sem resposta, o que mostra que o roteiro de Carrie Evans, Emi Mochizuki e do diretorChristopher Landon carece de um melhor acabamento para funcionar melhor.

No entanto, isso não significa que o filme seja uma perda de tempo, já que ele consegue, sim, o seu principal objetivo que é fazer rir. Um dos momentos que merecem destaque é quando Ben, Carter e Denise estão presos numa cela de prisão, cercados por zumbis. O que não impede que um dos escoteiros resolva tirar selfies com as criaturas. Outra parte divertida é quando Carter e Augie cantam um sucesso de Britney Spears para um morto-vivo. Aliás, a trilha sonora é bem bolada e necessária para o riso, colocando até mesmo uma canção da diva Country Dolly Parton numa cena de perseguição.

Por outro lado, algumas pessoas podem ficar até mesmo ofendidas com algumas piadas envolvendo questões sexuais, num típico humor que faz mais sucesso entre os adolescentes com os hormônios nas alturas. Mas, pelo menos, o diretor Landon, mais conhecido por seu trabalho na série de filmes “Atividade Paranormal”, ganha alguns pontos por não ser tão politicamente correto. Só poderia caprichar mais no quesito terror, já que, tirando as partes com sangue e tripas, a produção não chega a assustar em nenhum momento. A cena que envolve gatos transformados em zumbis, por exemplo, chega a ser constrangedora quando deveria ser tensa ou, pelo menos, engraçada.

O elenco não tem grandes destaques, embora Tye Sheridan (que ficará mais popular quando estrear “X-Men: Apocalypse” em 2016, já que será o novo Ciclope) se saia um pouquinho melhor do que seus colegas Logan Miller e Joey Morgan, que ficam na caricatura. A bela Sarah Dumont também se sobressai, como a mulher durona do grupo que, além de ser boa de tiro, serve de conselheira para Ben. O filho de Arnold Schwarzenegger, Patrick Schwarzenegger, não chama a atenção como o mauricinho Jeff. O bom ator David Koechner, de filmes como “O Virgem de 40 anos”, que vive Rogers, o chefe dos escoteiros, poderia render bem mais com o seu personagem, mas é completamente desperdiçado.

Embora inferior a produções com temáticas semelhantes como “Zumbilândia” ou “Todo Mundo Quase Morto”, “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” vale para os fãs do gênero e para quem não quer ver nada muito intenso no cinema. O filme é facilmente esquecível, não entra na lista dos melhores do ano, mas diverte com seu descompromisso. Ele serve como simples entretenimento e nada mais. Pelo menos, consegue o seu intento, o que já é um belo lucro. Desligue o cérebro e divirta-se.

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