Como Treinar Seu Dragão live-action copia, cola e repete a mágica

A chegada de “Como Treinar Seu Dragão” live-action, poucos dias depois de “Lilo & Stitch” é curiosa. Quando a Disney reinava absoluta nos anos 1990, em sua chamada Renascença, viu a perda de um de seus talentos, o produtor Jeffrey Katzenberg, envolvido nas produções que trouxeram de volta o prestígio do estúdio, indo unir forças…


Como Treinar Seu Dragão live actio

A chegada de “Como Treinar Seu Dragão” live-action, poucos dias depois de “Lilo & Stitch” é curiosa. Quando a Disney reinava absoluta nos anos 1990, em sua chamada Renascença, viu a perda de um de seus talentos, o produtor Jeffrey Katzenberg, envolvido nas produções que trouxeram de volta o prestígio do estúdio, indo unir forças com Steven Spielberg e David Geffen na criação de uma concorrente. A Dreamworks, a princípio, vinha com animações para bater de frente com a casa do Mickey com animações 2D grandiosas, até que descobriram que a arma para deixar o camundongo zonzo era justamente a matéria-prima da então parceira Pixar: o 3D. Daí veio Shrek, estabelecendo um novo paradigma para as animações no início do século XXI. Por coincidência, a Universal Pictures, atual dona da Dreamworks, resolveu se lançar no rentável mercado dos live-actions de animações justamente com a produção que fora dirigida por Chris Sanders e Dean DeBlois, mesma dupla responsável pelo alienígena azul da Disney.

Nessa versão com atores de “Como Treinar Seu Dragão”, animação de 2010 que gerou uma rentável trilogia, Soluço (Mason Thames), um jovem inventivo e sensível que vive em uma remota ilha viking chamada Berk, sente-se alienado diante das tradições violentas de sua comunidade, alegando que dragões são apenas inimigos a serem eliminados. Quando ele derruba — acidentalmente — um elusivo dragão da espécie Fúria da Noite, batizado de Banguela, Soluço decide ajudá-lo em vez de matá-lo. Essa decisão improvável abre caminho para uma amizade que desafiará séculos de crenças arraigadas.

Enquanto Soluço reconstrói a confiança de Banguela, ele começa a enxergar os dragões sob uma nova perspectiva, percebendo companheiros e não adversários. Ao retornar para Berk, enfrenta a reação do pai, o chefe Stoick (Gerard Butler), e a desconfiança da vila. Ao lado da corajosa Astrid (Nico Parker) e do divertido ferreiro Gobber (Nick Frost), ele lidera uma surpreendente reviravolta: ao unir humanos e dragões, prepara todos para enfrentarem um antigo perigo que ameaça a todos.

Se ao ler a sinopse você teve a impressão de que tudo está exatamente igual ao que foi visto na animação, saiba que vai mais além. Ao contrário dos live-actions da Disney, em que vemos algumas mudanças claras na migração de formatos, aqui é difícil perceber o que foi alterado ou acrescentado. O fato de ter o próprio Dean DeBlois a cargo da direção e do roteiro deixou tudo mais familiar e confortável. É como se ele pretendesse uma versão redux de sua obra.

Há alterações bastante sutis, como tipo físico de alguns personagens, como Ruffnut, que agora é uma menina gordinha, e, a que causou mais celeuma, Astrid, nessa versão uma jovem mestiça (a atriz tem ascendência nórdica e negra). Mas a diversidade étnica do remake é explicada em alguns segundos durante uma cena. A Universal também acredita que realismo demanda menos cor, e adota tons bem menos intensos do que os do original.

Dirigindo um remake de uma obra de sua autoria, DeBlois – agora sozinho, já que Sanders estava dirigindo “Robô Selvagem” – ficou à vontade para brincar com os personagens e criaturas a que deu vida nos programas de animação, agora no mundo real. Sem nenhuma inovação, é justamente a forma como ele copia e cola o trabalho feito há 15 anos que torna o filme interessante, pois, talvez pelo fato de se tratar do dono do brinquedo, a mágica parece ter funcionado novamente. O elenco é parte importante para conseguir o resultado. Mason Thames é a encarnação perfeita de Soluço. De fato é exatamente como imaginávamos que o personagem seria se vivido por um ator. Nicko Parker silencia os “puristas” (para não usar a palavra adequada que termina com o mesmo sufixo) interpretando Astrid com fidelidade, graça e carisma, e a ótima sacada foi chamar Gerard Butler, a voz de Stoick no original, para repetir o personagem.

Quanto ao CGI, é bastante satisfatório. Os designs dos dragões não foi alterado, apenas ganha texturas que dão a sensação de tangíveis. O mesmo cuidado que a Disney teve com Stitch vemos aqui com Banguela. O pavor de serem atacados como aconteceu com a primeira versão de Sonic, fez com que não mudassem nada no dragãozinho negro e a fofura foi acentuada, até porque o merchandising é uma fatia considerável do negócio.

“Como Treinar Seu Dragão” não precisava de um remake live-action. A animação não é tão antiga assim, além disso é CGI, que apesar de cartunesco, busca uma aproximação da realidade com as três dimensões. Mas se a máquina tem que girar e as ideias para um quarto longa animado não surgem, esse aqui proporciona uma boa diversão para os fãs, mesmo não trazendo nada de novo, além de ser um chamariz para as crianças de hoje. Além de, é claro, dar aquela movimentada na marca. Fica a pergunta se as continuações seguirão o mesmo modelo de não mexer no time vencedor, ou irão se arriscar mais e expandir o universo.

Como Treinar Seu Dragão

Como Treinar Seu Dragão
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Nota: 7/10 – Ótimo
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