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Crítica: "Antes do Inverno" mostra com sutileza a complexidade das relações humanas

Será que estamos aproveitando tudo o que podemos em nossas vidas? Ou será que poderíamos ter aproveitado muito mais? É a partir desse questionamento que se desenrola a história de “Antes do Inverno” (Avant l’hiver, França, 2013), o mais novo filme do diretor Philippe Claudel.
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Paul (Daniel Auteuil) é um neurocirurgião renomado que vive um casamento perfeito com Lucie (Kristin Scott Thomas). Um dia, seu caminho cruza com o de uma jovem, Lou (Leïla Bekhti), que afirma ter sido sua paciente na infância, causando um certo desconforto. Quando buquês de rosa passam a ser entregues de forma anônima em sua casa e no trabalho – e Lou surge em todos os lugares que ele frequenta -, algo muda em Paul. Ele passa a agir de modo estranho e Lucie acredita que ele está tendo um caso. A partir daí, as máscaras começam a cair e verdades subentendidas passam a ser reveladas. Mas será que ainda há tempo, antes da velhice, para revelar as coisas não ditas e os segredos?

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Este é o terceiro filme do diretor Philippe Claudel, que ficou conhecido após receber o Prêmio César de Melhor Primeiro Filme por “Há Tanto Tempo que Te Amo” (onde também trabalha com a atriz Kristin Scott Thomas). Os questionamentos do início do texto foram feitos pelo próprio diretor (a si mesmo), enquanto escrevia o roteiro do filme. Isso trouxe um toque pessoal à narrativa e a torna, de certo modo, autobiográfica. O filme, que foi escalado para o Festival Varilux de Cinema Francês 2014, tem seu foco na complexidade das relações humanas – seja entre marido e mulher, pais e filhos, ou entre amigos. A sutileza do roteiro de Claudel faz toda a diferença, pois, do contrário, o filme poderia ter se tornado um dramalhão sem fim. O elenco, sem dúvida, é o ponto forte do filme. Além de contar com excelentes atores, cada um deles se entrega ao papel de tal forma, que faz com que nos compreendamos o lado de cada um e porquê eles são como são.
O diretor/roteirista acertou em cheio ao tratar esses relacionamentos de forma natural, digamos assim. Não há “enfeites” e nem exageros. A história nos prende desde o começo e nos leva a pensar em nossas próprias vidas, e em nossos relacionamentos. Será que todos realmente são quem aparentam ser? Sem dúvida, um filme que merece ser visto.

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Publicação Geovana Garcia