Crítica: “Corações de Ferro” se perde entre a reflexão e o espetáculo

Depois de participar de “Bastardos Inglórios”, incursão de Quentin Tarantino pela Segunda Guerra Mundial, Brad Pitt parece ter realmente se interessado pelo período histórico e resolveu empreender, como produtor executivo, um épico passado durante o conflito. Trata-se de “Corações de Ferro” (Fury, EUA/2014) estreia deste fim de semana nos cinemas brasileiros com um relativo atraso em…


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Depois de participar de “Bastardos Inglórios”, incursão de Quentin Tarantino pela Segunda Guerra Mundial, Brad Pitt parece ter realmente se interessado pelo período histórico e resolveu empreender, como produtor executivo, um épico passado durante o conflito. Trata-se de “Corações de Ferro” (Fury, EUA/2014) estreia deste fim de semana nos cinemas brasileiros com um relativo atraso em se tratando de um filme com um grande nome à frente do elenco (nos EUA estreou em outubro).

Na trama, assim que os aliados fazem o seu avanço final sobre a Alemanha nazista, o sargento Don “Wardaddy” Collier (Pitt) comanda um tanque M4A3E8 Sherman chamado Fury (que dá o nome original do filme) e sua tripulação formada pelo artilheiro Boyd “Bible” Swan (Shia LaBeouf); o armador Grady “Coon-Ass” Travis (John Bernthal) e o motorista Trini “Gordo” Garcia (Michael Peña). Como o assistente de motorista e artilheiro “Red” foi morto em batalha, chega seu substituto Norman Ellison (Logan Lerman) um datilógrafo exército, recentemente recrutado, que nunca viu o interior de um tanque, nem experimentou as devastações da guerra. A bordo de Fury, eles deverão cumprir a missão de derrotar os nazistas apesar da desvantagem numérica e da escassez de armas.

Fica claro que a intenção do diretor David Ayer (de “Os Reis da Rua” e do vindouro filme do Esquadrão Suicida), que também assina o roteiro, era criar um épico de guerra, nos moldes de “A Ponte do Rio Kwai”, “Apocalipse Now”, “Platoon” e até mesmo “O Resgate do Soldado Ryan”, ou seja, unindo grandiloquência a uma reflexão em relação ao belicismo. Infelizmente fica apenas na pretensão. As partes do filme que são feitas para pensar e pretendem uma ousadia estética patinam na superficialidade, quedam-se enfadonhas. Parece que falta cancha a Ayer em se aprofundar no drama dos personagens em uma situação extrema, situação tão bem aproveitada por Francis Ford Copola, Oliver Stone e até mesmo que em menor grau por Steven Spielberg. Mas também fica a impressão de que ele não soube dosar espetáculo e reflexão, e acabou alternando os climas de maneira não muito satisfatória, oscilando entre o heroísmo e a crítica sem se decidir para qual lado se direcionar. Na dinâmica dos personagens nem o conflito causado pela obstinação raivosa de Collier e a hesitação e prudência de Norman impulsiona o desenvolvimento da trama, serve apenas de adereço dramático.

O acerto da produção, além da bela fotografia são as cenas de batalhas, sobretudo as envolvendo tanque. A investida do comboio contra um tanque alemão é literalmente de tirar o fôlego, assim como a de Fury encurralado por tropas alemãs no final. Um dado curioso é que esse foi o primeiro filme sobre a Segunda Guerra Mundial em que fora usado um tanque Tiger de verdade, o “Tiger 131” do Bovington Tank Museum, no Reino Unido. É o único tanque Tiger em pleno funcionamento no mundo.

Se “Corações de Ferro”se concentrasse mais na ação seria bem mais eficiente, mas seu calcanhar de Aquiles é ser mais do que diversão. Ás vezes o escapismo é saudável.