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Crítica: “Invencível” mostra que Angelina Jolie ainda não empolga como diretora

Atriz, ganhadora do Oscar, símbolo sexual, embaixadora da ONU, esposa do Brad Pitt… Com apenas 39 anos, Angelina Jolie está disposta a ser reconhecida por mais um predicado: o de cineasta. Porém, ao contrário de outras colegas de trabalho, ela não quis iniciar sua nova carreira com comédias românticas, como geralmente acontece. Primeiro, dirigiu e roteirizou  “Na Terra de Amor e Ódio” (2011), cuja trama ambientada na guerra da Bósnia trata da relação entre um soldado e uma pintora bósnia. Agora, quatro anos depois, ela se mostra ainda mais ambiciosa para com o lançamento de “Invencível” (“Unbroken”), onde conta a história da luta do atleta olímpico Louis Zamperini em ficar vivo durante a Segunda Guerra Mundial. Embora demonstre estar mais segura na parte técnica, Jolie ainda não sabe como fazer para realmente emocionar como diretora e o resultado final, embora bem realizado, não parece diferente de outras produções com temas semelhantes.

Unbroken

Na trama, vemos como Zamperini (Jack O’Connell) deixou de ser um adolescente problemático na década de 1930 para se tornar um corredor exemplar e entrar para a equipe de atletismo dos EUA. Tanto que disputou as Olimpíadas de Berlim em 1936. Mas veio a Segunda Guerra Mundial e o atleta acabou se alistando ao Exército americano. Sua sorte muda quando ele e mais dois colegas sobrevivem milagrosamente da queda do avião onde eles estavam e o trio tem que lutar para sobreviver em alto mar, dentro de uma jangada, contra tubarões e a falta de comida. Um deles acaba morrendo e, 47 dias depois do acidente, Louis e Phil (Domhnall Gleeson), o outro sobrevivente, acabam sendo capturados pelos japoneses. Após passarem por diversas torturas, os dois são separados e Zamperini vai parar num campo de concentração comandado por Watanabe (Takamasa Ishihara, também conhecido como Miyavi), que persegue seus prisioneiros de maneira implacável, especialmente Louis. Ele faz de tudo para humilhá-lo publicamente, mas Louis não se rende e suporta todo o tipo de dificuldade, na esperança de, um dia, poder voltar para casa.

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Inspirado no livro Invencível: uma história de sobrevivência, resistência e redenção”, de Laura Hillenbrand, que já vendeu cerca de 3,5 milhões de cópias, o filme tinha tudo para arrebatar público e crítica pela vida incrível que viveu Louis Zamperini (que morreu um pouco antes do lançamento desta produção) e Angelina Jolie sabia disso. Tanto que se cercou de alguns dos melhores profissionais de Hollywood para levar o drama do ex-atleta olímpico para as telas. Por isso mesmo, é uma pena que o que se vê no cinema é apenas bom e correto, sem grandes momentos marcantes. Dá a sensação de que você já viu esse filme antes e ele foi bem melhor. Como cineasta, a atriz demonstra maior controle nos momentos de ação, como a sequência que abre “Invencível”, onde vemos Zamperini no meio de um combate aéreo, e há um ou outro instante em que tenta sair do tradicional, como na maneira que filma um prisioneiro cair do alto de uma escada num dos campos de trabalhos forçados. No entanto, Jolie falha ao tentar cativar o espectador pela emoção, já que não consegue arrancar nenhuma atuação mais notável de todo o elenco. Além disso, emprega demais a trilha sonora de Alexandre Desplat (que já realizou trabalhos melhores) para quase que obrigar o público a se comover.

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O que chama a atenção em “Invencível” é saber que, para escrever o roteiro, foram chamados os irmãos Joel e Ethan Coen (diretores e roteiristas consagrados de “Fargo” e “Onde os Fracos Não Têm Vez”), além de Richard LaGravenese (de “O Pescador de Ilusões”) e William Nicholson (um dos escritores de “Gladiador” e “Os Miseráveis”). Devido a esses grandes nomes, não dá para esconder a decepção ao notar que o texto está cheio de frases clichês de autoajuda e não consegue desenvolver a trama de maneira fora dos padrões tradicionais deste tipo de drama. O que salta aos olhos, mas nem tanto, é a boa fotografia de Roger Deakins (que foi indicado ao Oscar por este trabalho). Mas isso é o que se espera nos dias de hoje numa produção como essa.

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Pelo menos, Jolie não colocou astros demais no elenco de “Invencível”, a começar pelo seu protagonista, o pouco conhecido Jack O’Connell, que não compromete sua atuação. O japonês Takamasa Ishihara também está correto, mas não se torna um vilão realmente impactante. As estrelas ascendentes Garrett Hedlund e Jai Courtney fazem quase pontas no filme, já que aparecem pouco com personagens nada importantes, que poderiam ter sido feitos até por atores iniciantes, que não fariam grande diferença. O que reforça o fato de que o drama pouco teve a oferecer aos envolvidos.

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Com cara de filme para ganhar Oscar, “Invencível” resultou numa obra que até entretém, mas não ficará guardada na memória do espectador. Ainda assim, mostra que Angelina Jolie ainda é uma diretora em formação e pode até ser que, um dia, ela consiga realizar uma obra realmente notável. Mas até lá, ela precisa aprender a gerar uma emoção genuína atrás das câmeras, como aquelas que obtém quando está diante delas.

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