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Crítica: “Minions” faz a alegria dos fãs, embora não seja memorável

Quando surgiram em 2010, em “Meu Malvado Favorito”, os Minions logo chamaram a atenção do grande público (em especial o infantil) pelo jeito atrapalhado de fazer as coisas (o que colocavam seu mestre, Gru, em maus lençóis às vezes), além do estranho idioma que falavam (que misturava palavras em português, inglês, espanhol, francês, entre outras línguas) e o bom humor “fofinho”, que ajudava a criar um carisma ainda maior para as criaturinhas amareladas. O sucesso foi tanto que, quando saiu a segunda parte, era notório que o roteiro foi criado para dar mais espaço para os ajudantes do vilão que tinha um bom coração, em detrimento de uma história melhor. Os realizadores estavam tão certos de que os ajudantes continuariam sendo bem lembrados que, durante os créditos finais, fizeram uma piada sobre um filme estrelado por eles. Assim, dois anos depois de “Meu Malvado Favorito 2”, chega aos cinemas “Minions”, que busca contar a história sobre a origem do grupo. Como nos filmes anteriores, os Minions continuam muito engraçados. Mas a nova produção não consegue manter o pique por muito tempo e a animação, embora vá divertir seus fãs, sejam crianças ou adultos, acaba se tornando um passatempo simples e pouco original.

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No filme, ficamos sabendo que os Minions surgiram durante a origem na vida na Terra (numa sequência muito divertida) e, desde que evoluíram um pouco mais até chegarem à forma que conhecemos nos dias de hoje, sempre procuraram servir a um mestre do mal. O problema é que, por mais que tivessem boas intenções, acabavam com a vida de seus senhores, sejam eles um tiranossauro rex, um homem das cavernas e até mesmo Drácula e Napoleão. Depois de várias e frustradas experiências, os Minions encontram um lugar no Polo Norte, onde constroem uma comunidade. Mas, algum tempo depois, sem ninguém para servir, eles acabam sentindo que suas vidas ficaram sem um propósito. Até que, um dia, o Minion Kevin decide montar um plano para encontrar um novo mestre. Assim, junto de Stuart, que gosta de música e é um pouco rebelde, e Bob, um pouco mais jovem e ingênuo do que os outros, Kevin atravessa o mundo em sua jornada até chegar aos Estados Unidos, em 1968.

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O trio descobre que, em Orlando, acontece a Expo-Vilão, um evento especial para malfeitores, e acreditam que lá encontrarão a solução de seus problemas. Na viagem, eles fazem amizade com os Nelsons, uma família aparentemente normal, que também está indo para a Expo-Vilão e lhes dá carona. As coisas mudam quando Kevin, Stuart e Bob caem nas  graças da vilã mais popular de todas, Scarlet Overkill (dublada por Sandra Bullock no original e Adriana Esteves na versão em português). Ela decide levá-los para a Inglaterra para que eles a ajudem a realizar o maior de todos os planos, que é roubar a coroa da Rainha Elizabeth II. Só que as coisas não saem exatamente como o planejado…

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Com um argumento bastante surreal e feito somente para entreter durante um pouco mais de uma hora e meia “Minions” até começa bem, especialmente com as sequências em tom de documentário (narradas por Geoffrey Rush em inglês e pelo experiente dublador Elcio Romar em português) que mostram a busca dos personagens por um mestre, com resultados desastrosos que levarão o público às gargalhadas. Mas, com o passar do tempo, as piadas vão ficando menos engraçadas e o ritmo do filme tem uma certa queda, o que pode entediar aquele que só foi ao cinema para acompanhar um fã das criaturinhas. Além disso, a trama não traz nada muito inovador, dando aquela sensação de déja vu, já que o objetivo de Scarlet é bem parecido com o de Gru no primeiro filme. Basta trocar a Lua pela coroa real. É claro que isso pouco vai importar para os admiradores dos pequeninos amarelados. Mas o roteirista Brian Lynch (que também escreveu “Gato de Botas” para a Dreamworks) poderia ter sido um pouquinho menos preguiçoso e explorasse melhor, por exemplo, algumas questões culturais da época, que foram tratadas de maneira superficial (embora uma piada com os Beatles seja muito boa) e renderiam momentos mais inspirados e engraçados. Do jeito que ficou, parece com aquele técnico de futebol que monta seu time só para ganhar de 1 a 0 e garantir o resultado.

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Mas “Minions” também tem ótimos ingredientes na sua receita, como a sensacional trilha sonora, que conta com grandes sucessos dos anos 60 de cantores e grupos como The Doors, The Kinks, The Who, The Turtles, entre outros, que são bem inseridas na trama e ajudam a divertir o espectador, especialmente aquele que curte música, apesar da fraca versão de Michel Teló para “Mellow Yellow”, de Donovan. Além disso, o 3-D é muito bem trabalhado ao criar a ilusão de que alguns elementos de cena estão “voando” para fora da tela, especialmente na parte final do filme (Não saia do cinema até o fim dos créditos, pois há uma sequência bastante engraçada). Outro elemento de destaque é o design de alguns elementos, como a nave e os vestidos de Scarlet, que guardam algumas surpresinhas desagradáveis. O carisma dos trio de protagonistas também é um ponto positivo, pois, mesmo com o roteiro pouco criativo, eles conseguem cativar e faz o público torcer para que se deem bem no final.

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Na dublagem brasileira, o grande nome é o de Adriana Esteves, que até consegue fazer um trabalho de voz bem diferente da vilã Carminha da novela “Avenida Brasil” (seu mais famoso papel até agora) para a sua versão de Scarlet Overkill. Mas quem merece destaque é o marido da atriz, Vladimir Brichta, que dubla Herb Overkill (que na versão original é dublado por Jon Hamm), companheiro da criminosa e criador dos equipamentos usados para cometer seus crimes. O ator conseguiu deixar sua voz praticamente irreconhecível e utiliza um tom bem diferente daquele que já se tornou característico de seus trabalhos anteriores, especialmente na televisão. Os outros dubladores também se saem bem, embora sem serem marcantes. Vale lembrar que, na versão original, o filme também conta com as vozes de Michael Keaton, Allison Janey, Steve Coogan e Jennifer Saunders.

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Embora não seja sensacional como “Divertida Mente”, ainda a melhor animação do ano, “Minions” serve para o que se propõe, que é apenas alegrar (e, por tabela, vender muitos produtos relacionados aos personagens) e nada mais. Quem já curte os assistentes de Gru, certamente vai curtir bastante o filme, mesmo com suas falhas. Quem não é tão fã assim, pode até ficar indiferente. Mas, ainda assim, vale uma conferida nos cinemas. Banana!

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Publicação Célio Silva