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Crítica: ‘O Regresso’ – Uma odisseia visceral e imersiva

A seguinte mensagem de um pai para o filho ecoa na mente do espectador: “Está bem, filho. Sei que você quer que isso acabe. Eu estou aqui mesmo. Estarei aqui mesmo… mas não desista. Está me ouvindo? Até o último alento, lute. Respire… continue respirando”. Essas palavras resumem a essência da obra que veremos na tela, sobre um filme visceral que conta a trajetória de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um caçador em busca de vingança contra John Fitzgerald (Tom Hardy), o homem que o traiu e o deixou para morrer nas terras ainda selvagens da América do Norte do século 18.

O Regresso (The Revenant, EUA – 2015) o longa-metragem mostra a relação entre colonizadores brancos e nativos americanos retratada sem pudores. Quando os indígenas oferecem peles de animais roubadas para os franceses em troca de armas e cavalos, a hipocrisia dos colonizadores é exposta de forma crua. O colonizador diz: “Todas essas peles são roubadas”. A resposta do indígena, “Não. Vocês roubaram tudo de nós. Tudo! A terra. Os animais. Levarei seus cavalos para encontrar minha filha, porque dois homens brancos entraram na minha aldeia e a levaram embora”, reverbera como um grito de guerra contra a opressão e a injustiça.

O Regresso do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, como alguns de seus outros filmes “21 Gramas” (2003), “Babel” (2006) e “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (2014) é uma experiência cinematográfica sensorial, pois Iñárritu apresenta ao espectador a percepção do mundo por meio dos sentidos. Ele faz isso através da câmera, como um personagem invisível explora ângulos inusitados, colocando o observador dentro da ação. Há poucos enquadramentos simples, retos ou verticais. Em O Regresso temos a sensação de estar imerso em uma floresta, nos lugares isolados e selvagens onde se desenrola a história.

A incrível fotografia de Emmanuel Lubezki, compatriota de Iñárritu é parte fundamental dessa imersão. Lubezki captura a beleza das paisagens com a predominância do branco acinzentado, que reflete a densidade da obra.

O roteiro do filme é uma adaptação do livro homônimo escrito por Michael Punke, que por sua vez foi inspirado pela história real de Hugh Glass, um explorador e comerciante de peles. Ele foi marcado pela perda e pela fúria. Interpretado por Leonardo DiCaprio que nos convida a mergulhar para dentro da mente de Glass e em sua alma atormentada, revelando cada nuance de sua dor, determinação e resiliência. Embora o roteiro flerte com clichês, como histórias de honra, traição, superação e perda, a interpretação impecável de DiCaprio eleva o filme a outro patamar. A forma da sua atuação precisa, minimalista, porém expressiva, é o fio condutor de O Regresso, levando o espectador pela odisseia do herói.

Hugh Glass sofre um ataque de um urso na floresta é uma cena brutal e memorável. A brutalidade do ataque é capturada com realismo impressionante, enquanto a imensa dificuldade para transportar um homem intensamente ferido em meio à neve e ao frio extremo se torna uma prova de força e resistência do ser humano diante do impossível, testemunhamos a crueldade e a beleza forte da natureza.

O Regresso pode ser uma vivência fílmica intensa e inesquecível. Nos leva a questionar os valores da nossa sociedade. O longa-metragem é um lembrete da força do espírito humano e do poder da natureza.

O filme é uma super produção que rendeu 12 indicações ao Oscar 2016 e venceu em três categorias: Melhor Diretor (Alejandro G. Iñárritu), Melhor Ator (Leonardo DiCaprio) e Melhor Fotografia (Emmanuel Lubezki).

O longa-metragem está disponível nas plataformas de streaming.

O Regresso

O Regresso
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