Crônica de uma relação passageira: amor nos tempos modernos

Ah, l’amour! O amor foi assunto de milhares, talvez milhões de filmes. Foi e é narrado em todas as suas variações e sobreviveu ao teste do tempo se adaptando às novidades. Se, no passado remoto do cinema, traição era terrivelmente punida ao final do filme, com o tempo as relações extraconjugais passaram por novas lentes,…


Chronique d’une liaison passagère, un film écrit et réalisé par Emmanuel Mouret Avec Sandrine Kiberlain (Charlotte), Vincent Macaigne (Simon), Georgia Scalliet (Louise)

Ah, l’amour! O amor foi assunto de milhares, talvez milhões de filmes. Foi e é narrado em todas as suas variações e sobreviveu ao teste do tempo se adaptando às novidades. Se, no passado remoto do cinema, traição era terrivelmente punida ao final do filme, com o tempo as relações extraconjugais passaram por novas lentes, e nem sempre são condenadas. Pode-se fazer um filme torcendo para um casal assim, e é exatamente isso que acontece, embalado por um piano sentimental, em “Crônica de uma relação passageira”.

Simon (Vincent Macaigne), casado, e Charlotte (Sandrine Kiberlain), divorciada, se conhecem numa noite e trocam beijos e números de telefone. Passam a se ver com frequência durante alguns meses. Encontram-se no apartamento dela ou em território neutro, como hotéis ou o apartamento de um amigo de Simon. Até que decidem adicionar uma terceira pessoa, Louise (Georgia Scalliet) à equação. Perto dela, Simon se torna verborrágico enquanto Charlotte permanece calma. E essa decisão minará a relação até então fácil e pacífica do casal.

Chronique d’une liaison passagère, un film écrit et réalisé par Emmanuel Mouret – Avec Sandrine Kiberlain (Charlotte), Vincent Macaigne (Simon), Georgia Scalliet (Louise)

O sucesso de um filme como “Crônica de uma relação passageira” reside na força da performance dos atores. Macaigne e Kiberlain são veteranos que já ganharam diversos prêmios e elogios. Ele, nascido em 1978, conta com 71 créditos como ator no IMDb, começando em 1998, mais três como diretor e outros cinco como roteirista. Foi indicado a seis prêmios César, a mais recente indicação vindo justamente deste filme. Ela, dez anos mais velha, começou a carreira com pequenos papéis em 1986, sendo seu primeiro filme de destaque “Cyrano de Bergerac”, de 1990. Dirigiu um curta e um longa, que também escreveu. Foi indicada a nove Césars, ganhando o prêmio em duas ocasiões.

Crônica de uma relação passageira” teve sua estreia mundial no Festival de Cannes de 2022 e a estreia brasileira ocorreu no mesmo ano no Festival Varilux de Cinema Francês. Muitos criticam o Festival Varilux por trazer filmes medíocres para as salas de cinema, e de fato este não é nenhuma obra-prima. Mas quem critica o faz do alto de seu privilégio: o festival é descentralizado e, apesar de ter sessões com elenco e equipe apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, leva para outras cidades, muitas interioranas como a minha, filmes que de outra forma não chegariam a esse público, que recebe nos poucos cinemas de sua cidade só os blockbusters. 

Chronique d’une liaison passagère, un film écrit et réalisé par Emmanuel Mouret – Avec Sandrine Kiberlain (Charlotte), Vincent Macaigne (Simon), Georgia Scalliet (Louise)

Como Simon diz perto do final, o que ele teve com Charlotte foi um parêntese – e parênteses, depois de abertos, necessariamente precisam ser fechados. Isso não impede que sentimentos aflorem e permaneçam. Muitas vezes o que vem escrito entre parênteses ressoa com mais força e por mais tempo do que o resto do texto. Esse foi o caso de Simon e Charlotte.

Crônica de uma relação passageira

Crônica de uma relação passageira
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NOta: 6/10 Bom
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