em

Dentro de sua cretinice, “Quero Matar Meu Chefe” é um bom passatempo

Dentro de sua cretinice, "Quero Matar Meu Chefe" é um bom passatempo | Filmes | Revista Ambrosia

Um filme cretino é uma coisa. Um filme assumidamente cretino é outra coisa, um pouco diferente. Eis então a possível redenção da comédia Quero Matar Meu Chefe.

Não existe novidade alguma na historinha de três amigos infelizes e constantemente humilhados em seus ambientes de trabalho por seus chefes, que decidem arquitetar os assassinatos dos mesmos. Dada as devidas circunstâncias, isso remete a Hitchcock em seu clássico Pacto Sinistro e outros exemplares do gênero, alguns recorrentes nos anos 80.

O engraçado (!!!) é que tanto o roteiro (encharcado de clichês, mas realmente engraçado) quanto a direção de Seth Gordon (inacreditavelmente eficiente) conseguem imprimir uma certa linearidade que capta bem o carisma preponderante do sexteto protagonista. Sejam eles as vítimas – Jason Bateman (especializando-se em seu próprio tipo recorrente em filmes sucessivos), Jason Sudeikis e Charlie Day (destaque um tanto esquisito, mas bem positivo) – ou os respectivos algozes – o sempre eficiente Kevin Spacey, um divertido Colin Farrel e uma Jennifer Aniston bem diferente do que costuma aparecer em seus “filmezinhos” apáticos.

Dentro de sua cretinice, "Quero Matar Meu Chefe" é um bom passatempo | Filmes | Revista Ambrosia

Os roteiristas vieram de séries, claro, cômicas, da TV, o que fica bem claro no viés genérico das piadas, mas é bom notar que flexibilizam isso a favor da trama de forma até despretensiosa, ainda que, por vezes, resvalando na graça fácil. Mas o elenco responde a isso de forma bem competente, o que torna tudo bem divertido e realmente engraçado.

A irônica participação de Jamie Foxx (e todas as suas implicações) é um dos pontos altos da trama, que procura o tempo inteiro debochar da debilidade de seus próprios elementos principais. Assim como a conclusão do filme, que tenta (só tenta!) fugir do previsível ao propor uma retórica à sinopse original, inclusive revelando o absurdo de seu plot, que, no geral, não faz sentido nenhum. Por isso que a comédia acaba por nos conquistar: é tão canhestra e idiota que nos ganha, justamente por não esconder essa sua proposital debilidade.

E quem, como eu, é fã das séries cômicas que têm trazido uma qualidade acima da média para a TV americana como Modern Family e Community, vai se identificar com o advento dessa tal debilidade. E como…

[xrr rating=3,5/5]

Deixe sua opinião

Publicado por Renan de Andrade

“Professora Sem Classe” é tão bobinho que as vezes até diverte…

“Conan, o Bárbaro” é um emblema sagaz da decadência do gênero em Hollywood