“Desencantada” rende alguma graça, mas não escapa de ser desnecessário

Contos de fada são fascinantes, mas se fecham neles mesmos, o que frustra profundamente os estúdios hollywoodianos, pois como extrair continuação de uma história que já se exauriu? A resposta simples é… força-se a barra. Foi a tática utilizada pela Disney para fazer “Frozen” ganhar uma parte 2 e render mais uns milhões (na verdade passou de 1 bilhão). “Desencantada”, que está chegando hoje (18) ao Disney+, segue a mesma regra para também expandir mais o universo do delicioso “Encantada”.

Dez anos depois de seu “felizes para sempre”, Giselle, Robert, Morgan, agora uma adolescente, e o bebê do casal mudam-se para uma nova casa no subúrbio de Monroeville. A comunidade é comandada por Malvina Monroe, que tem intenções nefastas para a família. Sem saber lidar com os problemas do mundo real, Giselle faz um pedido mágico para que suas vidas sejam um conto de fadas perfeito. O tiro sai pela culatra e Giselle vai precisar correr contra o tempo para salvar sua família e sua terra natal, o Reino de Andalasia, que passa a correr perigo, antes que o relógio marque meia-noite.

"Desencantada" rende alguma graça, mas não escapa de ser desnecessário – Ambrosia
"Desencantada" rende alguma graça, mas não escapa de ser desnecessário

A fragilidade exposta de “Desencantada” reside, mais do que no oportunismo, no insucesso em reproduzir a magia que tornou seu antecessor tão querido. Os números musicais não são memoráveis, o dualismo realidade versus conto de fadas, tão bem explorado no longa de 2007, até rende alguma graça, mas sem o mesmo brilho. O carisma de Amy Adams e Patrick Dempsey acaba sendo mesmo a força motriz dessa continuação.

A atriz continua bastante à vontade no papel que interpretou há 15 anos. A versão mais madura – e de certa forma mais humana – de Giselle é um acerto tanto no roteiro quanto na composição de Adams. A relação da princesa de Andalasia com sua enteada adolescente Morgan (vivida dessa vez por Gabriela Baldacchino) passa a ser o ponto nevrálgico.

James Marsden retorna deliciosamente canastrão como o príncipe Edward, assim como Indina Menzel no papel de Nancy. Só que agora, depois do sucesso como a voz de Elza em “Frozen”, ela ganhou seu número musical. A Malvina de Maya Rudolph é uma vilã caricata, mas era esse o intuito, brincar com a tradição da galeria de malvadas da Disney.

Todavia, alguns coadjuvantes ficam bastante desprovidos de relevância, como o filho de Malvina, interesse amoroso de Morgan (subtrama que também em nada acrescenta), a dupla de seguidoras da vilã e o bebê de Giselle e Robert que realmente não precisava estar ali.

"Desencantada" rende alguma graça, mas não escapa de ser desnecessário – Ambrosia
"Desencantada" rende alguma graça, mas não escapa de ser desnecessário

A direção de Adam Shankman (de” Hairspray”, “Rock of Ages”), que assume o comando da continuação, é apenas correta. Há um certo esforço do diretor em reproduzir a graça do filme anterior, mas fica refém das limitações do roteiro de Brigitte Hales, que inclusive traz consigo uma semelhança nítida com a série da Marvel “WandaVision”. Até a mudança no tom da fotografia para evidenciar a troca das realidades é utilizada como recurso narrativo. No caso aqui, uma tonalidade menos saturada no início e um colorido mais vibrante depois do feitiço.

Por fim, “Desencantada” cumpre sua função de dar ao público um pouco mais de Giselle e sua cantoria, ainda que seja às custas de uma trama bastante desnecessária. Possui bons momentos, não macula o carisma dos personagens, mas fica inevitavelmente empalidecido por ter como ponto de referência o primeiro filme. Ainda que renda alguma diversão, era melhor que a história tivesse ficado mesmo no “felizes para sempre”.

Desencantada

Desencantada
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