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“Deuses do Egito” desperdiça a oportunidade de criar um épico

A mitologia greco-romana, por sua forte influência na cultura ocidental, sempre foi amplamente explorada em Hollywood desde priscas eras. Os deuses do Olímpio e suas intervenções sobre os destinos dos mortais exerceram fascínio sobre as plateias durante anos em filmes como o clássico “Fúria de Titãs” (o original, por favor). Contudo, uma outra mitologia da antiguidade, a egípcia, nunca teve o mesmo prestígio nas telonas. “Deuses do Egito” (Gods of Egypt, EUA/2016) chega aos cinemas com o desiderato de trazer os mitos da cultura egípcia ancestral embalados em uma super produção.

No filme, Set (Gerard Butler), o deus impiedoso da escuridão, assumiu o trono do Egito e mergulhou o império, uma vez pacífico e próspero, no caos e conflito. Poucos se atrevem a se rebelar contra ele. O jovem ladrão Bek (Brenton Thwaites), cujo objeto de paixão, Zaya (Courtney Eaton), foi levado cativo pelo deus, procura derrotar e destronar o deus maligno com a ajuda do poderoso deus Horus (Nikolaj Coster-Waldau).

A ideia de se fazer um blockbuster tendo como base uma cultura ancestral tão rica mas pouco explorada parece boa, até vermos o quão equivocada fora sua execução. E não é no que tange à etinia dos atores do elenco, como muito se discutiu, até porque há negros. O pecado do filme reside mesmo na trama banal, nos efeitos especiais de computação gráfica tão artificiais que parecem saídos de um videogame e nas atuações canhestras. A impressão que se tem ao longo da exibição é de se estar assistindo a uma produção daquela emissora evangélica.

gods2Contar uma trama que exige bons efeitos com um material de gosto duvidoso pode comprometer até uma boa trama, mas com um fio condutor medíocre o que se vê é uma catástrofe como aquelas pragas que assolaram a região. Recursos de câmera lenta e acelerada, e edição são constrangedores e gratuitos.

No roteiro assinado pela dupla Matt Sazama e Burk Sharpless (das bombas “Drácula: A História Nunca Contada” e “O Último Caçador de Bruxas”) faltou uma construção mais carismática do protagonista e uma posição mais estóica na dinâmica dos deuses. A construção dos personagens não recebe muita ajuda das atuações. Gerard Butler, por exemplo está constrangedor e a participação de Geoffrey Rush é digna de piedade.

Ao diretor Alex Proyas (dos ótimos “O Corvo” e “Cidade das Sombras”), que é egípcio, restou conduzir um cipoal de efeitos flamboyant, sequências de ação que não empolgam e agrupar elementos vistos em outors filmes épicos como “300”, “Senhor dos Anéis” e o novo “Fúria de Titãs”.

Por fim, “Deuses do Egito” desperdiça uma boa oportunidade de se fabricar um épico tendo a mitologia do norte da África como mote e nos empurra um produto eivado de elementos surrados, na preguiçosa estratégia de apostar no que dá certo.

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