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Diva francesa fumou em coletiva… E daí?

A diva do cinema francês, Catherine Deneuve, veio ao Brasil para promover o Festival Varilux de Cinema Francês. Famosa por filmes como “Repulsa ao Sexo” (1965), de Roman Polanski, e “A Bela da Tarde” (1967), de Luis Buñuel, Deneuve participou de uma coletiva de imprensa dia 8 de junho em São Paulo no luxuoso Hotel Tivoli Mofarrej, onde estava hospedada.

As matérias produzidas por grandes veículos de comunicação, como Portal IG e Portal G1, focaram suas matérias no fato de Deneuve ter fumado dois cigarros durante a coletiva em sala fechada, o que é proibido por lei no Brasil e pelo estabelecimento privado em questão também. Me pergunto por que a mídia dá ênfase em acontecimentos tão insignificantes perto do que um ícone do cinema francês poderia ter dito. Se não tinham nada para falar, poderiam, simplesmente, ter divulgado o Festival. Bem, mas esta é outra questão.

O Festival Varilux de Cinema Francês aconteceu em 22 cidades brasileiras, de 08 a 16 de junho e “Potiche: Esposa Troféu” é o filme protagonizado por Deneuve, do diretor François Ozon, que compunha a programação do festival. Os outros filmes exibidos foram: “Copacabana”, “Lobo”, “O Paio dos Meus Filhos”, “Os Nomes do Amor”, “Simon Werner Desapareceu…”, “Uma Doce Mentira” (que tem Audrey Tautou, a eterna Amelie Poulain, no elenco), a animação “Um Gato em Paris”, “Vênus Negra” e “Xeque-Mate”. Este último é protagonizado por Sandrine Bonaire, atriz francesa que será homenageada pelo festival com uma retrospectiva dos filmes de sua carreira.

Potiche é um termo que, em francês, significa objeto de decoração. No filme de Ozon, Susane Pujol (Catherine Deneuve) é uma Potiche, uma esposa troféu, submissa às vontades de seu marido, Robert Pujol (Fabrice Luchini), diretor de uma fábrica de guarda-chuvas que, antes, pertencia ao pai de Susane.

Quando Robert Pujol adoece, Susane tem que assumir a fábrica e acaba por levantar os negócios que não iam muito bem. Uma mulher no poder consegue dialogar com operários que vinham realizando greves por insatisfações das condições de trabalho e, além disso, traz ideias que inovam o produto (falo do filme). Então, toda força que vivia adormecida nesta mulher, que falava com esquilos, escrevia poesias e andava sorrindo muito à toa pela vida, desperta de uma vez por todas e, de certa forma, vai mudando o rumo da sua vida e das pessoas que estão ao seu redor também.

Deneuve, ainda belíssima com seus 67 anos de idade, disse em entrevista: “”Todos em sua vida tiveram a oportunidade de ser um objeto, estar ao lado de alguém sem poder expressar suas ideias, opiniões. Homens, inclusive – existem muitos homens-objeto por aí, que só servem de decoração para suas mulheres”.

Passado na década de 70, (e as cores, de fato, remetem à época) “Potiche: Esposa Troféu” é uma comédia muito bem explorada pelo diretor, que também foi beneficiado pelo excelente elenco, abrilhantado por Gérard Depardieu interpretando Maurice Babin, comunista e antigo caso de Susane na juventude. O filme marcou o reencontro destes ícones do cinema francês depois de pouco mais de 30 anos, quando contracenarem em “O Último Metrô”, de François Truffaut.

“Ozon foi muito hábil em aproveitar nosso passado cinematográfico nesse casal”, afirmou a atriz sessentona que nega o título de ícone do cinema francês. Pena a mídia ter ficado tão perplexa com os cigarros de Deneuve durante a coletiva (o que, provavelmente, tenha acontecido por simples desconhecimento da proibição) e não ter explorado mais o próprio filme que ela veio promover – a que se deve o verdadeiro motivo de sua visita ao país.

[xrr rating=3.5/5]

Título Original: Potiche

Ano: 2010

País: França

Direção: François Ozon

Duração: 103 min

 

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