Drácula: Uma História de Amor Eterno é a abordagem romântica sobre o vampiro

Desde que o cinema é cinema, o famoso livro de Bram Stoker sobre o príncipe amaldiçoado da Transilvânia recebe incontáveis adaptações. Drácula é, sem dúvidas um personagem fascinante, que exerce inquietação perene com sua trágica história, condenado a viver para sempre, alimentando-se de sangue humano e à procura da reencarnação de sua amada através dos…


Drácula a love story

Desde que o cinema é cinema, o famoso livro de Bram Stoker sobre o príncipe amaldiçoado da Transilvânia recebe incontáveis adaptações. Drácula é, sem dúvidas um personagem fascinante, que exerce inquietação perene com sua trágica história, condenado a viver para sempre, alimentando-se de sangue humano e à procura da reencarnação de sua amada através dos tempos. No cinema, ganhou, sob o pseudônimo de Nosferatu a versão de Murnau, o clássico estrelado por Bela Lugosi, assim como a imponência conferida por Christopher Lee nas produções da Hammer. A mais recente a se tornar referência é a superprodução de Francis Ford Coppola, com Gary Oldman no papel-título. Agora é a vez do francês Luc Besson trazer sua versão, optando pelo viés romântico que também permeia a mitologia da criatura das sombras.

Em “Drácula: Uma História de Amor Eterno”, após a morte trágica de sua esposa Elisabeta no século XV, um príncipe devastado renuncia a Deus e entrega sua alma à escuridão, tornando-se o imortal Drácula. Séculos mais tarde, durante a efervescente Paris do século XIX, ele se depara com Mina, uma jovem londrina que guarda uma semelhança perturbadora com sua amada perdida. Obcecado pela ideia de reencarnação, ele acredita que o amor que o destruiu pode, finalmente, salvá-lo. A partir daí, inicia-se uma jornada silenciosa e dilacerante sobre saudade, destino e o fardo da eternidade.

Besson procurou focar no homem e seu fardo e não no monstro que se tornou tão popular. Trocou a Londres original pela Paris do mesmo período, plena Belle Époque, procurando dar também sua ótica francesa à história. Como era de se esperar, o cineasta se apoia em visuais deslumbrantes e uma atmosfera que equilibra o sombrio e o poético, para mergulhar fundo na melancolia que reveste o personagem principal.

É possível dizer que esse é o projeto mais ambicioso do diretor em muito tempo. Há a preocupação com o deslumbre visual, de fato, mas também em construir uma trama densa, que diferencie das demais adaptações do conto. Contudo, apesar da boa intenção, no final das contas o curso não foge muito em sua estrutura do que já foi apresentado anteriormente. Além da troca da ambientação, os personagens também tiveram mudança nos nomes, como o Van Helsing que agora é substituído por um padre alemão vivido por Christoph Waltz.

É inegável que Besson, mesmo não executando aqui seu trabalho mais inspirado, conduz a direção com maestria e perfeito timing de espetáculo (a direção de arte enche os olhos). Ciente de que não se trata de um personagem qualquer, ele procura oferecer seu estilo, sem correr risco de se distanciar demasiadamente da essência. Caleb Landry Jones (que já havia colaborado com o cineasta em “Dogman”) compõe um Drácula contido, mas intenso, que carrega séculos de dor nos olhos. Em alguns momentos escorrega um pouco no cliché, quase resvalando na caricatura, mas a mão firme do diretor o impede. Zoë Bleu Sidel brilha como a figura dual de Elisabeta e Mina, trazendo alma a um personagem dividido entre o presente e o passado. No entanto, essa versão da amada do conde fica pouco explorado, principalmente se considerarmos como seu arco foi delineado.

“Drácula: Uma História de Amor Eterno” pode ser definido como uma ode à espera, à esperança e à ideia de que certos sentimentos podem atravessar o tempo – ainda que a alma pague o preço. Jogando luz sobre esse aspecto da obra de Bram Stoker, o filme busca seu lugar no hall dos filmes de vampiro, embora alguns deslizes (na parte técnica saltam aos olhos, no mau sentido, os gárgulas, que têm um final sem muita lógica) possam frustrar uma posição mais alta. Apenas o tempo dirá como e o quanto era será lembrado.

Drácula: Uma História de Amor Eterno

Drácula: Uma História de Amor Eterno
7 10 0 1
Nota: 7/10 – Ótimo
Nota: 7/10 – Ótimo
7/10
Total Score iÓtimo