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“Elysium” contém as boas intenções Neill Blomkamp, mas o que se sobressai são seus pecados

No final do século 21, a Terra sofre com o excesso de poluição e de habitantes. Uma Los Angeles de prédios em decadência acentuada e aparência de lixão em grande escala é a imagem mais marcante desse referida época. Fora da Terra, os ricos mantêm o padrão de vida em um complexo de alta tecnologia chamado Elysium. Lá não existe poluição, doenças, velhice e nem superpopulação. O personagem principal, Max (Matt Damon), vive na Terra, nesse lugar agora arruinado e habitado apenas por pessoas miseráveis. Depois de sofrer um acidente grave na fábrica em que trabalha e descobrir só ter cinco dias de vida restantes, Max tenta burlar as leis de imigração para entrar em Elysium, com a ajuda de um hacker (vivido por Wagner Moura) especializado no processo. Para isso eles terão de enfrentar Delacourt (Jodie Foster), a durona secretária de defesa contra imigrantes ilegais, e Kruger (Sharlto Copley, intenso), o mercenário enviado para impedir Max.

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O diretor sul-africano Neill Blomkamp carrega em si forte apelo político mesmo dentro de sua (assertiva) noção de entretenimento. “Distrito 9″ era isso elevado a máxima potência de alcance discursivo e dramatúrgico. Evidente que seu próximo filme viria ancorado nessas expectativas e, de forma geral, “Elysium” decepciona.
Neill mantém sua visão crítica sobre o Apartheid que tanto assombrou sua visão de mundo a partir de cultura que conhece tão bem, e esse é um dos pontos altos do filme. Entretanto ao tentar dar forma a esse discurso, inexplicavelmente, opta pelos clichês mais batidos de roteiros rasteiros, principalmente os hollywoodianos. Resultado: ao mesmo tempo em que nos envolvemos com as perspectivas distópicas de um mundo incomodamente possível, chega a ser irritante perceber as gratuidades do roteiro, dificultando demais sua credibilidade.
Wagner e Alice Braga, produtos brasileiros destacados no longa, brilham em seus papéis, principalmente Alice, cada vez mais segura diante do tamanho da indústria na qual engatinha. Na verdade, se o diretor não tivesse nos acostumado tão bem em sua estreia, Elysium desceria redondo pela total falta de expectativa. Porém, para o nível de sua capacidade demonstrado, o filme é tão frustrante quanto os caminhos da Humanidade refletidos ali…

[xrr rating=2.5/5]

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Ativista

Publicado por Renan de Andrade

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