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“Em Nome da Lei” se esvazia em lugares comuns

Existe uma dicotomia bem da esquisita em boa parte do cinema brasileiro no tocante a seu próprio discurso. Muita das vezes ele se propõe a ser uma radiografia sócio-política do país, empreendendo até uma pretensa urgência causal de suas contradições. Entretanto, o resultado, em geral, acaba caindo em uma superficialidade que é o oposto do realismo pretendido.

Em Nome da Lei, novo filme do diretor Sérgio Rezende, é mais uma caricatura do tipo. Rezende é um diretor muito interessado na função de retratar, como podemos perceber em seu filme símbolo, Guerra de Canudos. O enfoque atual está sobre a fronteira entre o Brasil e o Paraguai e seus pântanos. Um jovem juiz federal (Mateus Solano) chega à pequena cidade de Fronteiras para fazer a justiça prevalecer em um lugar onde o crime corre solto.

Ele acaba batendo de frente com chefão da área, “El Hombre” Gomez (Chico Diaz), utilizando a lei para acabar com a bagunça local. Entre os aliados de Vitor, estão a procuradora Alice (Paolla Oliveira), com quem acaba tendo um caso amororso, e o policial federal Elton (Eduardo Galvão).

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Nada funciona muito bem no filme, mesmos as atuações sendo protocolares (Diaz é sempre muito bom nos clichês que o empurram). O roteiro é esquemático e cheio de clichês, numa estrutura televisiva, e esvaziando explicitamente o potencial colérico de seu tema.

Tecnicamente, pouco se se nota o trabalho de fotografia (numa região tão interessante de se fotografar) e a direção de arte é especialmente afetada. Rezende ainda parece querer equilibrar as bases de um thriller político com um forçado melodrama (permeado em vários personagens), mas sua direção é frágil tanto para alinhavar essas tentativas quanto para tornar seu filme relevante.

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