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"Eu, Mamãe e os Meninos" se mostra uma agradável surpresa da safra recente de filmes franceses

A busca pela própria identidade é algo que acompanha a humanidade há muito tempo. Não é uma tarefa fácil. Descobrir quem realmente somos e o que queremos para nossas vidas é algo que demanda tempo e empenho. “Eu, Mamãe e os Meninos” (“Les garçons et Guillaume, à table!”, França/Bélgica, 2013) aborda exatamente isso.

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Grande vencedor do César 2014 (o Oscar Francês) – Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Primeiro Filme e Melhor Filme -, o filme foi a primeira investida de Guillaume Gallienne à frente da direção. O longa conta a história de Guillaume (Guillaume Gallienne), um rapaz que, por ser tratado de modo diferente dos irmãos, pensa ser uma menina – a própria mãe contribui para isso quando em uma das falas diz “Os meninos e Guillaume para a mesa”. Por conta disso, toda a família o trata de forma diferente, num preconceito velado ao suposto homossexualismo do protagonista. Anos depois, através de uma peça de teatro, ele conta como sobre a conturbada relação com o pai, os primeiros amores, as confusões, as histórias engraçadas e como, finalmente, conseguiu fazer as pazes com a própria sexualidade.
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Baseado em uma peça escrita pelo próprio Guillaume Gallienne – com roteiro também assinado por ele e com a colaboração de Claude MathieuNicolas Vassiliev -, e narrado em primeira pessoa, o filme é, também, autobiográfico (assim como os primeiros filmes de Woody Allen, nos anos 70). Além de fazer o protagonista, ele também interpreta a mãe. Alternando tons cômicos e dramáticos, Gallienne dá um show de atuação ao interpretar personagens tão diferentes. Ele mostra domínio sobre o próprio corpo (nos trejeitos de cada personagem) e utiliza a voz de forma magistral para dar o tom certo a cada cena. O homossexualismo é tratado com naturalidade (como deve ser) ao longo da história, sem a utilização de clichês e de trejeitos pré-concebidos – como normalmente é observado nas comédias nacionais. É perceptível o cuidado com a montagem do filme e a edição foi bem executada; no entanto, isso não impediu que o mesmo tivesse alguns momentos um tanto parados e monótonos (o que não chega a atrapalhar, mas faz com que a atenção se disperse). A fotografia suave e a trilha sonora delicada complementam com perfeição a narrativa.
O filme – que foi exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2014 – estreia amanhã nas salas brasileiras. É, sem dúvida, um presente para os amantes do cinema francês!

 

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