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Fechando o Festival do Rio com o singelo e consciente "Se a Rua Beale Falasse"

 
Redescoberto intensamente após o sucesso do documentário Eu Não Sou Seu Negro, o escritor norte-americano James Baldwin continua em voga dada a perenidade de sua obra.
Após o merecido Oscar pelo tocante e maravilhoso Moonlight, o cineasta Barry Jenkins volta ao cinema adaptando um dos livros de Baldwin, If Beale Street Could Talk ou Se a Rua Beale Falasse. E continua agregando beleza e veemência a sua investigação sobre o desenvolvimento negro na sociedade americana.
A história reconta a história de amor, cheia de singeleza de Tish (Kiki Layne) e Fonny (Stephan James), que se conhecem desde a infância e vivem a descoberta e o enlace da paixão aflorar. Tudo parece bem até que o rapaz é preso, acusado de estupro injustamente, num caso claro de discriminação racial e abuso de poder. Tish passa a lutar para provar sua inocência, ao mesmo tempo em que tem que lidar com a gravidez e as limitações sociais.
Em uma espinha dorsal aparentemente simples, o roteiro delineia suas arestas de observação da sociedade sob o prisma da banalização da existência negra nos EUA dos anos 60 e 70. A perspectiva de Jenkins está primordialmente na figura de Tish e isso humaniza mais o viés panfletário da história.
Fechando o Festival do Rio com o singelo e consciente "Se a Rua Beale Falasse" | Críticas | Revista Ambrosia
A construção dramática dos fatos, assim como o paralelo que se faz entre dois pontos de vista (acompanhamos também o desenrolar dessa acusação) leva o filme para muitos caminhos, o que talvez pulverize de mais seus efeitos.
Diferente de Moonlight, onde o filme se construía praticamente todo na jornada afetiva de seu protagonista, aqui as vozes implícitas são divididas, e até dão uma ligeira sensação de que há solenidade e peso demais para pouca contextualização. Uma sensação legítima, mas que não desmerece o filme em si. Jenkins filma com muita elegância, (tem colaborações luxuosas do diretor de fotografia James Laxtone e trilha sonora do compositor Nicholas Britell) sua linguagem já virou uma marca e um prazer de se perceber.
Para além da estética, o longa ressoa o quanto justiça social e população negra sempre foram dissonantes. O que sobressai disso é a propriedade de suas intimidades. A realidade e a intimidade. O filme cresce muito aí. E é uma ode ao lema “vidas negras importam”. Como bem entendia e professava James Baldwin

Cotação: 3,5 / 5

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