Festival do Rio: A complexidade contemplativa de “Sudoeste”

Sudoeste fez barulho em sua exibição na Premiere Brasil do Festival do Rio 2011. Ao fim, era possível ouvir aplausos calorosos e gritos de Bravo! Primeiro longa do diretor Eduardo Nunes, o filme é uma fábula a cerca do tempo, mas de forma notadamente original, tanto nessa sua investigação temporal, como na linguagem impressa para…


Sudoeste fez barulho em sua exibição na Premiere Brasil do Festival do Rio 2011. Ao fim, era possível ouvir aplausos calorosos e gritos de Bravo!

Primeiro longa do diretor Eduardo Nunes, o filme é uma fábula a cerca do tempo, mas de forma notadamente original, tanto nessa sua investigação temporal, como na linguagem impressa para tal.

Rodado em Arraial D’Ajuda, apresenta Clarice (Simone Spoladore e outras três atrizes), que revê toda a sua vida (do nascimento a velhice) num único dia a despeito da percepção de quem está ao seu redor. Dentro de sua proposta narrativa, Nunes vai delineando com poderosos recursos de som e fotografia (aliás, nenhuma fotografia da seleção foi tão deslumbrante como essa, do diretor Mauro Pinheito Jr) uma desafiadora experiência sensorial, que persuade nossa atenção para cada desenrolar.

É daqueles filmes que trarão muitos prêmios para o Brasil e dialoga diretamente com a singularidade (no todo) de Lavoura Arcaica de Luis Fernando Carvalho. Particularmente, creio que a paixão do diretor por sua obra foi tamanha que incidiu sobre o tempo excessivo de uma vislumbração como essa. Mas é inegável que Eduardo Nunes fez um filme para entrar para a história de nosso cinema nacional.

[xrr rating=4/5]