em

Festival do Rio: A Empregada

O Festival do Rio, como tantos outros grandes festivais de cinema, costuma interessar as pessoas pela possibilidade de assistir filmes autorais, independentes e inusitados de maneira geral, principalmente comparados à extensa lista de produções americanas que norteiam as salas de cinema no resto do ano. “A Empregada” (Hanyo, 2010) é um caso à parte. O filme faz inveja a qualquer grande produção do gênero (e não dúvide que Hollywood vá refilmar em breve) graças ao excelente trabalhado do escritor e diretor Im Sang-soo, que uniu em harmonia (quase) todos elementos que a produção necessitava.

Veja bem, não estamos falando de um filme de arte. “A Empregada” é assumidamente um melodrama e não possui pretensões de ser mais do que é, mesmo sendo um remake de um dos maiores filmes sul-coreanos de todos os tempos: “A Empregada” de Kim Ki-young. A primeira grande mudança em relação ao original foi atualizar o roteiro. O filme de 1960 mostrava uma família tradicional sendo destruída por uma empregada psicótica e imoral. Já a versão de Im Sang-soo inverte os valores e temos uma plausível família rica que não distingue limites de poder sobre os subalternos.

A trama apresenta Lee Eun-yi (Do-yeon Jeon), uma jovem de classe baixa que aceita trabalhar como babá e empregada sob as orientações da governanta Byung-sik (Yeo-Jong Yun) para Hae-ra (Seo Woo), mãe de uma adorável garotinha à espera um casal de gêmeos. Eun-yi acaba seduzida por Hoon (Jung-Jae Lee), refinado e atraente marido de Hae-ra, que sempre teve tudo que quis e não tem problemas para transformar a jovem babá em sua amante. Sem obstáculos morais, os problemas de Eun-yi realmente começam ao engravidar de Hoon e constituir um obstáculo na felicidade de Hae-ra, que conta com sua mãe para eliminar tal ameaça.

Além da atualização e desenvolvimento da trama, outro grande mérito do diretor Im Sang-soo se dá com o trabalho dos atores, que personificam seus respectivos arquétipos com perfeição. Do-yeon Jeon convence como uma jovem de origem humilde e de pouco horizonte, ao mesmo tempo que possui uma lascívia inexistente na lindíssima atriz Seo Woo, que por sua vez parece ter sido criada para se tornar uma princesa fria. Assim também estão Jung-Jae Lee e a atriz Yeo-Jong Yun, cujo papel de governanta frustrada dá o embasamento necessário que justifica as ações da poderosa família contra a empregada. Mas é neste desenrolar final, quando acontecem tais ações, que surgem alguns dos problemas do filme, como a impressão de certos acontecimentos ocorrerem de maneira muito abrupta, para manter o desfecho desfecho desejado, e a inclusão de Mi-hee (Park Ji-young), a fria e calculista mãe de Hae-ra, uma “vilã” que mais parece ter saído de uma novela da Globo.

Mesmo nem sendo tudo perfeito, A Empregada ainda assim é escolha certa para quem deseja uma sutil diversão.

[xrr rating=3.5/5]

alguém opinou!

Deixe sua opinião!

One Ping

  1. Pingback:

Deixe sua opinião

Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

SWU: Prós e Contras