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Festival do Rio: “Afterimage” – A Despedida de Wajda

O derradeiro filme do grande diretor polonês Andrzej Wajda (indicado por 4 películas a Melhor Filme Estrangeiro), Afterimage traz a história real do artista e professor de arte Wladyslaw Strzeminski na época de instalação do regime comunista na Polônia e a sistemática perseguição a artistas, que deveriam se moldar ao padrão do Realismo Soviético, ou seriam demitidos de suas funções.

O artista, que na época já não possuía uma perna e um braço, andava de muletas e ainda assim exercia primorosamente sua profissão, se dedicava fortemente à sua paixão, a arte, e aos seus alunos, porém, não era muito ligado a sua família. Sua esposa doente, da qual era separado, e sua filha, que o visitava sempre, mas já era ligada ao novo regime, participando dos desfiles do partido.

Strzeminski tem sua vida destruída quando o regime comunista corta todas as suas chances de trabalhar, e na Polônia comunista só comprava alimentos quem tivesse o cupom de comida, que só era concedido a quem trabalhava. Isso fez sua saúde deteriorar e seu temperamento como artista frustrado por não poder exercer a profissão, começa a afastar a todos.

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O filme inicia claro, com a cena do professor e seus alunos pintando em morros verdejantes da Polônia, logo essas lentes se tornam escuras, mostrando o horror imposto pelo regime comunista, como a pobreza, a guerra e a fome que a população dessa nação passou nesse período, que se inicia com a invasão nazista e, logo depois, a soviética. A feição do ator de faz Strzeminski, Boguslaw Linda, com sua cara séria, tendo um sempre um pequeno sorriso de canto de boca a cada vez que tem seu emprego negado, mostra como um artista ao ver a cultura sendo obliterada por um regime ditatorial pode reagir

Um pequeno defeito no filme mostra quando os mortos estão cobertos em um lençol, é possível ver esse se mexendo com a respiração da pessoa por baixo, mas nada que estrague a experiência dessa película.

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