Festival do Rio: Bearcity

Sempre tive certa expectativa com os filmes que seriam exibidos no Festival do Rio, porém este ano foi o primeiro que não me senti empolgado em encarar uma maratona de filmes. Para não dizer que não fui a nenhuma sessão, decidi acompanhar um amigo na exibição de  Bearcity, filme dirigido por Douglas Langway, que também…


Sempre tive certa expectativa com os filmes que seriam exibidos no Festival do Rio, porém este ano foi o primeiro que não me senti empolgado em encarar uma maratona de filmes. Para não dizer que não fui a nenhuma sessão, decidi acompanhar um amigo na exibição de  Bearcity, filme dirigido por Douglas Langway, que também escreveu o roteiro em parceria com Lawrence Ferber.

Para os que não estão habituados com o vocabulário gay, os ursos (ou bears em inglês) são um nicho de homens que valorizam características masculinas como barba, pêlos e em alguns casos o excesso de peso, bem diferente da cultura gay da barbie fortona, musculosa, fundamentalmente às voltas com produtos de griffe.

O filme conta a história de Tyler Hall, jovem rapaz gay que batalha para ser ator em Nova York. A sua atração secreta por ursos o faz se aproximar de Fred, simpático cameraman que conhece durante um teste, que o apresenta então para toda a comunidade: seu companheiro Brent; Michael e seu namorado Carlos, e Roger.

Procurando abordar temas que interessantes, o filme cai na superficialidade dos dramas vividos pelos personagens fazendo com que não ocorra uma identificação com eles. O casal Fred e Brent pensam em abrir a relação e rendem ao expectador cenas cômicas (as únicas do filme), já Carlos enfrenta o drama da gastroplastia de Michael, talvez o único casal do filme com um tema mais sério e interessante, mas que não é desenvolvido o suficiente para que ser torne relevante para a trama. Bearcity gira em torno do casal Roger e o insosso Tyler, cuja intenção era mostrar o machão pegador que se redime ao descobrir o amor, mas nem mesmo esse clichê grotesco consegue salvar a dupla protagonista. Gerald McCullouch é um ator muito canastrão, que infelizmente não consegue convencer o expectador da repentina mudança comportamental do seu personagem, uma vez que Roger e Tyler não interagem tempo suficiente para que possa fazer o daddy largar a sua promiscuidade.

O Tyler de Joe Conti é o personagem mais irritante e bobo da trama, sua perfomance é sofrível, dando a entender que o jovem ator está atirando para todos os lados. Foi relativamente interessante o personagem ser assumidamente gay e viver no armário sobre sua preferência pelos ursos por ter medo de como seus amigos o julgarão, mas termina aí.

O roteiro é fraco, porém se fosse bem trabalhado daria um bom filme mas com tantos clichês e tramas descontinuadas, o final do filme torna-se inacreditavelmente previsível e nem consegue provocar emoções maiores no expectador e nem causa maiores dicussões nas rodas de conversa.