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Festival do Rio: “Confidencial – Mente Assassina”, uma inventiva ficção científica

“Confidencial – Mente Assassina” é uma adaptação do mangá “Himtsu Top Secret”, escrita e ilustrada por Reiko Shimizu, que já havia sido adaptado para anime. A premissa é exatamente a mesma: no futuro, quando scanners cerebrais foram aperfeiçoados ao ponto de que o governo pode recuperar memórias de mente das pessoas até os cinco anos de idade – mesmo se elas estiverem mortas. Os pesquisadores do 9º Laboratório Forense da Polícia Científica do Instituto Nacional de Pesquisas deve pesar as escolhas éticas na invasão final da privacidade como eles aprofundar a mente das pessoas para resolver crimes.

Nesse contexto, Ikko Aoki (Masaki Okada) se destaca entre os investigadores criminais de Tóquio há um bom tempo e é supervisionado pelo frio e enigmático Tsuyoshi Maki (Toma Ikuta). Essa técnica que acessa informações cerebrais como uma caixa preta de avião se utiliza da nanotecnologia. Em seu primeiro caso, Aoki terá que investigar a mente de um homem de meia-idade que matou toda sua família. Um dos corpos nunca foi encontrado e localizá-lo será fundamental para solucionar o caso.

Dirigido por Keishi Ohtomo (da versão live action de Rurouni Kenshin), “Confidencial” traz ao cinema uma inesperada e bem conduzida ficção científica que acerta justamente em colocar em questão os limites éticos da ciência. Os fins de fato justificam os meios? Da mesma forma que fez Philip K Dick com “Minority Report”, aqui a solução é apresentada como da forma mais eficaz de se conduzir a justiça, mas ao longo da trama, somos induzidos cada vez mais a refletir e, consequentemente, concordar com o fato de que os efeitos colaterais podem se dar de forma inversamente proporcional ao resultado alcançado.

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Esse questionamento que permeia a trama e o engenhoso jogo de gato e rato justificam a longa duração (duas horas e vinte e oito minutos) na qual se vê pouca “gordura”. O final pode ser um pouco desconcertante, mas não desabona o todo, e, dependendo do ponto de vista, pode ser encarado até como inventivo. Vale destacar o trabalho de fotografia que surte um clima sombrio sem abusar muito dos contrastes manjados quando o diretor de fotografia quer obter esse resultado em ficção científica. E a direção de arte, o outro mérito, funciona como cúmplice para compor a atmosfera.

“Confidencial: Mente Assassina” pode passar como um flash pelos cinemas brasileiros, ou, o mais provável, ser lançado diretamente em home vídeo. Será uma pena, pois é um belo exemplar do cinema de gênero feito do outro lado do planeta.

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