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Festival do Rio: “Xale”, uma história pessoal e universal

Foi na literatura jovem e vigorosa da autora Tatiana Salem Levy que fui remetido quando terminou a sessão de Xale, libelo pessoal do diretor Douglas Soares para e sobre sua avó, Dona Araci, de 86 anos e em cujo o olhar lacônico, esconde muita história sobre si.

Em seu livro mais representativo e premiado – A Chave de Casa – a autora portuguesa, mas radicada no Brasil, reconstrói as origens de sua família (através da chave de uma casa em Esmira, para onde seus avós fugiram da Inquisição), num intenso exercício de busca de identidade e memorialismo.

Sensibilidade essa que é a tônica da história engendrada pelo diretor, que parte para Armênia tentando descobrir o porquê de um xale enviado pela avó, fora devolvido ao país sem motivo aparente. Essa investigação pessoal delineia a narrativa do docudrama, mas quando a câmera se concentra efetivamente nessa vó que está no Brasil, o filme alcança uma dimensão ainda maior no tocante ao que o Xale representa.

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A propriedade de sua condição de neto, dá a Douglas uma habilidade precisa no desenvolvimento dessa humanidade que o filme o tempo inteiro transborda. Tanto que quando ele se distancia dessa propriedade (ou dela), o filme parece pedir de volta mais de Dona Araci. Mas acima de tudo, Xale traz em si sua verdade absoluta de ser uma história pessoal que ressoa por assimilações universais.

Se em A Chave de Casa, Salem Levy busca sua identidade pelo passado que a inquieta, Douglas Soares se cobre com seu xale para que esse passado de sua avó a eternize. E isso é comovente. Por isso que a cena mais bonita e profunda do filme está toda concentrada num olhar perdido dessa vó, que reflete tanta vida. O Xale, portanto, é um reflexo disso.

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