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Festival do Rio: "O Fim e os Meios" e a falta de ínterim

O primeiro filme da Première Brasil do Festival do Rio 2014, O Fim e os Meios, de Murilo Salles deu a tônica política que promete permear a maioria das produções concorrentes da mostra. Trata-se de uma radiografia um tanto aguda das entranhas do jogo político e sua ligação (direta e indireta) com a imprensa. Um jovem casal vivido por Pedro Brício (destaque para a atuação de Brício, que tem se dedicado mais a direção teatral nos últimos anos) e Cíntia Rosa, que se mudam para Brasília devido à necessidades profissionais de ambos. Ela, jornalista, e ele, publicitário de uma campanha política. Essa campanha eleitoral acaba por desvendar não só os joguetes e articulações, como também a fragilidade da relação dos dois.
10646896_4593603175140_8560653188213852602_nComo acontece sempre com os filmes de Murilo, que também escreve suas tramas, o roteiro é melhor na ideia que na execução. A frouxidão com que os personagens são delineados afeta diretamente o contexto apresentado. A trama desenvolve um triângulo amoroso sem desenvolver os indivíduos envolvidos e os conflitos acabam ficando caducos. A personagem de Cíntia é muito prejudicada por isso: suas motivações são abruptas. Como discurso, o filme até ensaia alguma contundência nas questões que levanta, tão incomodamente assimiláveis; mas como dramaturgia, patina numa reles intenção. Apesar da montagem interessante, O Fim e os Meios fica no ínterim entre o que diz o seu título.
nota 2,5

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