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Festival do Rio – Premiere Brasil: “Tatuagem” transgride pelo amor. E arrebata.

Um dos filmes mais aguardados da Premiere Brasil do Festival do Rio 2013 era sem dúvida, “Tatuagem”, elogiada estreia na direção do roteirista Hilton Lacerda, que saiu com o prêmio de melhor filme no recente Festival de Gramado.
Devido às manifestações eloquentes na Cinelândia, a sessão foi remarcada para duas horas mais tarde no também tradicional cinema Estação Rio, em Botafogo, que pareceu ficar pequeno diante de tamanha expectativa. Hilton construiu seu libelo de amor (e tantinho de fetiche) em cima das desinências da repressão, seja ela sexual e/ou ideológica. Ele ambienta a história em 1978, em plena era da intolerância da ditadura militar. Irandhir Santos (irrepreensível e avassalador tanto quanto esteve em Tropa de Elite 2 ) é Clécio, líder do cabaré Chão de Estrelas, um coletivo, teatro e cabaré bem politizado.
tatuagem
Clécio se envolve com um jovem recruta, Fininha (Jesuíta Barbosa, uma promessa), que passa a frequentar o ambiente. A descoberta de Fininha não é meramente sexual – e uma qualidade irrevogável do filme é justamente fugir desse tipo de clichê, como quando na primeira transa dos dois, o teoricamente inexperiente rapaz diz que aquela não é a sua primeira vez com um homem – o que vamos saber melhor depois. Fininha, para além de seu ofício em plena ditadura militar, descobre a vida fora dos ditames sociais e militares a que está acostumado a conviver. A amoralidade permeia todo o filme, e isso se estende às convicções de seus personagens. O diretor é sincero em todas as abordagens, seja nas intensas cenas de sexo homoeróticas, seja no discurso expositivo tão marcante à época. Não é um filme perfeito, mas tem uma verdade irresistível. Hilton não tem tempo a perder, mas sim muito discurso a proferir E com uma contundência ainda muito atual.

[xrr rating=4/5]

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