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Festival Varilux de Cinema Francês: Ferrugem e Osso

Continunando a jornada pelos filmes do Festival Varilux, um filme que me foi altamente recomendado e que, infelizmente não fez jus a toda expectativa criada. Ferrugem e Osso (De rouille et d’os – 2012), do diretor Jacques Audiard é o que se pode chamar de um novo Vanilla Sky. Vocês logo vão entender porque.

No filme, acompanhamos Alain (Matthias Schoenaerts), recém separado da esposa, com uma criança para cuidar, que vai para a casa da irmã e acaba empregado como leão de chácara em uma boate. Lá, após uma briga, ele conhece Stéphanie (Marion Cotillard), que por uma razão qualquer, briga com um homem e ele aparta a briga e a leva para casa. Após isso, ela sofre um grave acidente e perde metade das pernas, é quando então ela pede o apoio dele para poder voltar a se reestabelecer.

Poderia ser uma linda história de amor e redenção, se o filme não fosse tão mal conduzido e mal escrito. Na verdade, meu grande problema com o filme é o mesmo problema que tive com Vanilla Sky: a síndrome dos 20 minutos finais. Nesse caso, mais ou menos uns 30 minutos. Nessa síndrome, vemos a intervenção dos produtores para amenizar ou explicar alguma situação que, se não feita, poderia deixar uma péssima impressão no espectador.

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No caso de Vanilla Sky, a cena do elevador, em que basicamente o filme todo é explicado detalhadamente. Aqui, bem, não vou adentrar em spoilers porque o filme tem muitas nuances e detalhes que fariam dele um ótimo filme, se não fosse esses momentos finais.

Há, claro, momentos dignos de nota e de uma sobriedade esplendorosa ao filme, momentos que fazem valer a pena a compra do ingresso, porém o filme ameaça ir para uma direção que o tornaria simplesmente excepcional, o que se vê, no entanto, é o filme rodar em volta de si, sem sair do lugar, sem direção.

Tirando esse aspecto, a história de superação, de ambos os personagens é admirável e adorável. A dela, por sua luta contra as restrições físicas e sua busca pela liberdade, mostrando que, ao contrário de sua personagem no último Batman, Marion Cotillard é sim uma ótima atriz, com uma capacidade de criar personagens que o público imediatamente vai sentir empatia e magnetismo. Sua Stéphanie tem uma enorme profundidade moral e uma ética que a atriz transmite em cada expressão facial e gestual, e gestos nesse caso são por deveras importantes.

Já Alain é o contrário, ele é mais fechado em si, não sabendo explorar suas emoções que não seja de uma forma mais bruta, seja em suas lutas, seja na hora de transar, agindo por puro instinto e tesão, não tendo espaço para sentimentos. Ambos os personagens são perfeitos em seu desenvolvimento, até o momento em que bate a Síndrome Vanilla Sky e tudo tem que ser arrumado para que o espectador tenha seu sentimento de complementação totalmente satisfeito.

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No aspecto técnico, temos um filme primoroso, sendo no uso de alguns filtros nas filmagens a beira mar que muito lembra a “Mar Adentro” de Alejandro Amenábar onde se tem aquela sensação que o Sol está em seu rosto, nos ofuscando para maiores detalhes, da mesma forma que ficamos logo que chegamos a beira mar. É uma escolha perfeita para o estilo de filme, porém repetitiva e nada original.

A trilha sonora, composta por músicas comerciais também merece destaque por tirar um pouco do tom mais sério do filme. Há com isso uma quebra do ritmo e do silêncio que por muitas vezes impera, talvez tenha sido proposital para não nos deixarmos levar pelo clima pessimista de alguns momentos do filme. De qualquer forma, pode incomodar a alguns.

Infelizmente, pelo sério problema criado pelo final do filme, o que poderia ser uma história maravilhosa, digna de passar de geração em geração, acaba por se tornar uma história bobinha e lemente desconexa de superação e reconstrução da vida, como já vimos diversas vezes na Sessão da Tarde.

[xrr rating=2/5]

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