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Foo Fighters: Back and Forth

Todo mundo que gosta pelo menos um pouco de rock conhece os Foo Fighters. E se conhece, sabe muito bem que a banda nasceu depois do fim prematuro do maior grupo dos anos 90, o Nirvana, do qual Dave Grohl fez parte como baterista. O que pouca gente conhece são as incertezas, as pressões, as brigas, as demissões, as overdoses, as surpresas, as pequenas – e grandes – vitórias que fazem parte dos 16 anos de história do FF.

O diretor James Moll (vencedor do Oscar de melhor documentário em 1999 por The Last Days, filme sobre o holocausto) foi convidado para capitanear o projeto e decidiu contar toda a história da banda, desde os primórdios até hoje em dia, em função do lançamento do mais novo disco, Wasting Light. Apesar de não dar muito tempo para grande parte das informações (e são muitas), tudo o que qualquer fã da banda teria vontade de saber sobre  o grupo, está aqui. Até por isso, torna-se um filme difícil para os não-iniciados, mas um prato cheio para os fãs e seguidores da banda.

Back and Forth é uma das biografias musicais mais sinceras e despretenciosas já produzidas, espelhando a imagem que a banda tem na mídia, com a participação total dos músicos, inclusive de seus ex-integrantes. Até por que os Foos nunca assumiram ser grandes rock stars, apesar de serem. E isso só é possível pela acertada escolha de trazer depoimentos exclusivamente das pessoas que estiveram no palco durante estes 16 anos – excetuando-se o produtor do novo disco, Butch Vig – sem que as centenas de artistas com quem Grohl já colaborou (sério, seria uma lista incrível e imensa) dessem o seu pitaco. Isso proporciona ao espectador uma visão quase in loco dos acontecimentos do passado, trazendo até depoimentos um tanto amargurados dos ex-integrantes William Goldsmith e Franz Stahl, que nunca entenderam completamente o motivo de suas respectivas demissões.

A banda nasceu de uma fita demo que Dave Grohl gravou praticamente sozinho pouco tempo após o fim do Nirvana (essa fita tornou-se o primeiro disco do grupo) e fica claro que baterista o que se tornou frontman nunca deixou de comandar com mão de ferro, mesmo que tenha deixado alguns feridos no caminho. O homem tem um controle de qualidade afiado e procura sempre dar o melhor de si e de seus companheiros para o público. Talvez não seja o amor de pessoa que todo mundo pensa dentro do estúdio – afinal, isso é o seu ganha pão e sua paixão – mas é verdadeiramente um show man.

A última parte do documentário é dedicada à gravação do novo disco. A banda decidiu produzí-lo na garagem de Grohl e trazer alguns velhos amigos e novos colaboradores. O disco foi gravado em fita (e isso pode deixar pessoas mais novas um pouco confusas, por que houve um tempo em que nada era feito no computador) e foi considerado por muitos críticos como um retorno à forma. É interessante ver uma banda extremamente bem sucedida, que descobriu uma fórmula para encher grandes arenas – e realmente não larga dela – ainda procura maneiras de fazer coisas diferentes (sem exatamente se reinventar), se não para o público, mas para que eles mesmos não caiam na rotina e no tédio que é a carreira de muitas das estrelas do rock.

Após o documentário, os espectadores (todos fãs, eu presumo) serão agraciados com uma apresentação ao vivo em 3D do Foo Fighters tocando músicas do Wasting Light.  O combo documentário+show estará em cartaz em salas selecionadas, somente nos dias 24 e 25 de junho (sexta e sabado) em sessões noturnas, então não perca tempo.

[xrr rating=4/5]

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