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Fúria de Titâs poderia ter sido…

Zeus, Hades, Perseu, Pégasus, Kraken, Io, Argos, Andrômeda e outros tantos grandes personagens ganham vida em “Fúria de Titâs” (Clash of the Titans, 2010), mas infelizmente o resultado fica longe das belas lendas que inspiraram o filme original de Ray Harryhausen. O Fúria de Titâs de 1981 sem dúvida possuia vários problemas, mas o diretor Louis Leterrier mostra com a refilmagem do clássico que efeitos especiais não são tudo.

O que torna “O Senhor dos Anéis” de Peter Jackson tão memorável? Ou “O Labirinto do Fauno” de Guilhermo del Toro? Arrisco neste texto que seja a paixão… a chama que consume todos grandes contadores de histórias e os atirade sua zona confortável para o desconhecido. Paixão é algo que Louis Leterrier não possui e, mesmo não sendo o único culpado da “Fúria de Titãs” não convencer, mostra como um diretor é muito mais do que saber produzir boas cenas de ação, mesmo para blockbusters. Basicamente Fúria de Titâs transmite o mesmo vazio de  “O Incrível Hulk”, filme anterior do diretor, deixando a sensação que poderia ter sido muito mais.

Mas vamos a história…

Cansados das atitudes mesquinhas dos deuses do Olimpo, os humanos (claro que estamos falando dos gregos) declaram guerra contra os deuses liderados pela grande cidade de Argos. Já no Olimpo, Zeus (Liam Neeson) também está insatisfeito com a ingratidão humana e cede à trama de seu irmão Hades (Ralph Fiennes) para acabar com a rebelião dos mortais.

Perseu (Sam Worthington) é um pescador que acaba perdendo sua família na luta entre os deuses e humanos e, após ser capturado e levado à Argos, acaba descobrindo ser um semideus, filho de Zeus. Decidido a salvar a bela Andrômeda (Alexa Davalos) e a cidade de Argos do temível Kraken, Perseu embarca numa jornada pelo desconhecido com a ajuda da amaldiçoada Io (Gemma Arterton) e alguns bravos guerreiros.

Apesar da pouca fidelidade com a lenda de Perseu e do Kraken não pertencer a mitologia grega, o roteiro original de Beverley Cross possuía grandes qualidades e uma narrativa que se assemelhava aos mitos, infelizmente isto também foi descartado nesta nova produção que se concentra demais em apresentar cenas de ação mal entrealaçadas. O próprio Perseu, o personagem principal, é mal desenvolvido e sua determinação de vencer a batalha como humano se perde inexplicavelmente ao aceitar a ajuda de Zeus quando este aparece subitamente pela primeira vez para seu filho. Se o personagem principal é mal desenvolvido, o que dizer do resto? Até os excelentes Liam Neeson e Ralph Fiennes, ou Zeus e Hades respectivamente, ficam perdidos na direção de Louis Leterrier, que aparentemente os obriga a lançar frases de efeito pouco condizentes com o momento dos personagens.

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar preciso ressaltar aqui, mesmo tendo assistido o filme no formato convencional, que aparentemente o 3D da produção é o pior já apresentado nas últimas produções que tem este chamativo. O motivo disto sem dúvidas foi tentar criar efeitos 3D pós filmagens com câmeras comuns, através de renderização computadorizada, o que acaba criando um 3D de péssima qualidade. Fica ai a dica…

Se você é também um grande admirador da cultura helênica o filme vale ser visto nos cinemas pelos personagens e criaturas, caso contrário fique na torcida para que a Sony produza um filme do God of War com qualidade.

  • Ah, essa visão extremamente exigente de pensar que um live action, ou qualquer outro filme deixou a desejar já está dando nojo. É claro que não dá para formular uma opnião e estabelece-la como uma visão geral de um filme que vale apena ver ao menos pela bela criatividade, que diz respeito a representação dos personagens mitológicos. É verdade que o roteiro deixou um pouco a desejar, mas esse tem sido um defeito que predomina em muitos filmes. "Tudo depende do ponto de vista de uma maioria". O Senhor dos anéis sim, é uma bela arte, mas labirinto do falno é só um simples conto, que jamais deveria ser sitado quando alguém estiver falando de O Senhor dos Anéis.

  • Discordo em genero, numero e grau com Marcos, em todos seus argumentos. Bela criatividade tinha o original, do harryhausen, com seu stop motion, muito a frente da sua época. E labirinto do fauno é muito mais que um simples conto, é do mesmo nivel de um senhor dos anéis. Lá sim, sobrava criatividade nos seus personagens. Não é a toa q Guilhermo del toro irá dirigir a versao para o cinema de o Hobbit, que será produzido por peter jackson. Só para citar del toro mais uma vez, as criaturas dos seus dois hellboys, são muito mais arrebatadoras que qualquer uma desse furia atual.

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