Golden Kamuy – A busca por um tesouro perdido, uma fuga da prisão, samurais e ursos

Produção chega ao streaming e deixa gostinho de quero mais

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Nem sempre é fácil acertar na hora de fazer um live action , ou simplesmente adaptar um mangá. Nem todas as histórias se prestam a isso e algumas acabam saindo dos trilhos, mas não custa nada dizer que Golden Kamuy acertou em cheio com seu filme live-action.

Lançado primeiro no Japão, Golden Kamuy teve um ótimo desempenho nas bilheterias. Agora chegou na Netflix , e está garatindo um bom êxito com seu amálgama de filmes de guerra e filmes de aventura. O filme começa após a Guerra Russo-Japonesa de 1904, e Saichi Sugimoto (Kento Yamazaki) é um soldado sobrevivente que agora busca fortuna em Hokkaido. É aí que ele ouve falar de um tesouro Ainu que foi roubado… E o mapa para encontrá-lo está dividido em 24 partes e tatuado nos corpos de 24 criminosos que escaparam da prisão.

Após ser salvo por Asirpa (Anna Yamada), uma garota ainu, os dois decidem procurar o tesouro juntos. No entanto, muitas outras facções também estão atrás do ouro, incluindo vários dos criminosos já citados e o exército imperial.

Golden Kamuy começa diretamente em plena ação com sua faceta mais bélica: nas trincheiras, mostrando a brutalidade do passado de Sugimoto durante uma guerra. O filme de Shigeaki Kubo sabe equilibrar muito bem essas sequências. Embora tome certas liberdades, consegue se manter no lado realista, com a tradição própria do mangá de Satoru Noda e seu visual mais aventureiro.

O live-action consegue equilibrar muito bem todas essas facetas, incluindo os toques de humor mais exagerado, dramático e teatral que parecem retirados diretamente do mangá com os momentos mais calmos em que conhecemos a cultura Ainu através de Asirpa.

Embora onde Golden Kamuy mais brilhe seja nas cenas de ação desenfreada, que incluem tiroteios e perseguições com um certo toque ocidental e lutas acirradas em um trenó em alta velocidade. E luta contra ursos, não percam as cenas com os ursos.

Perto do mangá, mas sem ir muito longe

Embora não seja um filme multimilionário de Hollywood, Golden Kamuy acerta surpreendentemente no CGI. E em muitas ocasiões você pode ver as costuras ao usar filtros e efeitos ambientais, mas principalmente consegue um bom acabamento com criaturas como os ursos e o lobo gigante de Asirpa.

O mesmo vale para o figurino e a caracterização, que longe de parecer um evento de cosplay (nos moldes de Yu Yu Hakusho), salvo algumas raras exceções, Golden Kamuy permanece no lado realista sem te levar muito para fora. do filme com designs grotescos demais para permanecerem fiéis ao mangá.

Talvez onde mais peca seja em tudo o que tenta abranger. Porque embora Golden Kamuy se concentre principalmente em Sugimoto e Asirpa, temos um tremendo festival de personagens com motivações próprias… E eles não param de chegar. Esse elenco de personagens faz com que a trama às vezes se torne muito caótica e muitos acabem em uma bagunça sem contribuir muito. Porque nos dão muita ação, mas grande parte dos personagens passam sem dor nem glória.

Embora Golden Kamuy seja um filme, a produção de outros materias é clara. O mangá original de Satoru Noda conta com 31 volumes e o filme não tenta adaptar a história completa, mas sim plantar a semente e posicionar o jogador

O filme nos dá um final satisfatório, com uma uma boa resolução do primeiro conflito que foi construído ao longo do filme, mas também nos deixa um gancho perfeito para o futuro. E Golden Kamuy já tem uma série live-action em produção para continuar a história do filme, que está prevista para estrear no Japão no outono de 2024. E, se não pudermos esperar até lá, temos o anime já no Crunchyroll.

Talvez esse seja um dos grandes inconvenientes do filme, que talvez tivesse funcionado melhor desde o início como série para poder dosar melhor a quantidade de tramas que trata. Mesmo assim é um começo perfeito para entrar no cenário e apaixone-se profundamente por seus protagonistas, e entre a fundo nesta busca frenética por tesouros.

Golden Kamuy (2024)

Golden Kamuy (2024)
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Nota: 7,5/10 Ótimo
Nota: 7,5/10 Ótimo
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Cadorno Teles
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Cadorno Teles

Cearense de Amontada, um apaixonado pelo conhecimento, licenciado em Ciências Biológicas e em Física, Historiador de formação, idealizador da Biblioteca Canto do Piririguá. Membro do NALAP e do Conselho Editorial da Kawo Kabiyesile, mestre de RPG em vários sistemas, ler e assiste de tudo.

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