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"Green Book" é um feel good movie sobre isolamento

A sinopse que antecipa o tom carregado e intenso de “Green Book – O Guia” causa surpresa quando se lê nos créditos o nome do diretor Peter Farrelly, famoso por comédias escrachadas e politicamente incorretas como “Debi & Lóide” e “Quem quer Ficar com Mary?”. O longa vem imbuído de densidade e ao mesmo tempo quebra nossas expectativas ao se travestir como um feel good movie bem interessante, mas que não deixa de explorar o drama envolvido na raiz do argumento, e o faz com louvável competência.
Na trama, o leão de chácara Tony Lip (Viggo Mortensen), originário de uma família de descendentes de italianos bronca e preconceituosa, é contratado como motorista particular de um artista negro, o pianista clássico e cheio de pose Dr.Don Shirley (Mahershala Ali), para uma turnê pelo sul dos EUA. Durante a viagem, as barreiras entre os dois personagens vão se quebrando e isso os leva a uma jornada de descobrimento pessoal mútuo, que mudará seus paradigmas.
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As atuações de Mortensen e Ali são o ponto forte do filme. A personalidade de Tony Lip e sua idiossincrasia, que não permitem inicialmente se conectar com seu empregador, vão se maleando aos poucos quando ele percebe que o próprio Dr.Shirley também está deslocado do seu próprio mundo de uma elite intelectual, ao qual pertence apenas quando está sob os holofotes. Ao mesmo tempo, é desprezado por outros negros devido à postura perante sua sociedade. Isso fica explícito na sua solidão diária e na relação distante que mantém com o irmão.
É quando filme aborda a delicada questão de como nos isolamos da sociedade, e ao mesmo tempo queremos pertencer e sermos lembrados por ela, principalmente por amigos e familiares, no entanto sem que para isso seja preciso ter a dignidade de sair do pedestal no qual se coloca, mas que viabilize reatar com quem tanto se deseja simplesmente conversar.
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Na parte mais dramática do filme, o racismo (de duas vias) dos anos 60, em mãos de muitos diretores seria o foco principal da trama. Porém, o diretor preferiu deslocar o tema para o pano de fundo durante grande parte do longa, e que vai ter sua apoteose na conclusão, mostrando como essa viagem espiritual irá mudar os personagens para sempre em suas vidas e em suas relações.
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