Talento é importante, mas carisma, pelo menos na lógica Hollywoodiana, é primordial como um dos fatores de sucesso de um blockbuster. Will Smith sabe e se vale muito bem do seu para isso. Mas, vamos combinar, o cara também é muito talentoso.

Talvez por isso, Homens de Preto 3 seja melhor do que na verdade é. Melhor que a tenebrosa continuação anterior, é com certeza.

O filme começa com a fuga do vilão Boris, o Animal (que, claro, rende piada o tempo inteiro) de uma prisão lunar onde os humanos mantêm os criminosos alienígenas de maior periculosidade. Depois de 40 anos encarcerado, ele quer vingança contra o agente K (Tommy Lee Jones), responsável por sua prisão, amputação de um de seus braços e aniquilação de seus planos de invadir a Terra.

Para mudar os rumos dos acontecimentos, Boris volta ao passado para eliminar K e dar continuidade a seus intentos dominadores, o que obriga J (Smith) a fazer o mesmo e tentar impedi-lo.

A direção de arte dá um show à parte, num design setentista mas alinhada ao espírito cômico e bizarro da franquia. Para quem estranhou o “visagismo” ininteligível do segundo filme, MIB 3 está bem mais alinhado ao divertido primeiro filme. O roteiro se debruça (até demais) na questão do choque temporal (a festa lisérgica tem “pegadinhas” bem interessantes) e dá uma virada um tanto engenhosinha em seu terço final, comprometendo sua fluência. Porém, apesar disso, tem a dobradinha K e J, que ganha uma dimensão até bem sacada, e ainda a inteligência de Josh Broslin trazendo refinamento a tudo o que já estava estabelecido.

Não consigo dizer se o filme traz um respiro prolífero para a franquia, mas enquanto existir Will Smith e seu valioso carisma (muito bem amparado por Tommy e Broslin), o sucesso (que inclusive já superou o primeiro filme!) está garantido.