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J.J. Abrams fala sobre Star Trek 2

J.J. Abrams concedeu uma entrevista ao repórter Scott Huver falando sobre seus projetos e obviamente o trecho a respeito de Star Trek 2 foi o mais aguardado, mas se você acha que ele vai entregar desde já o que veremos na continuação, pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Porém, é altamente recomendado de se ler, ainda mais que ele fala um pouco sobre como foi fazer o primeiro filme e sobre a polêmica envolvendo William Shatner.

jjabrams

Primeiramente, se ele está planejando os filmes de Star Trek um por um ou se como uma grande sequência:
J.J. Abrams: Essa é uma pergunta fantasticamente otimista e eu aprecio ela, mas a resposta para ela é obviamente filme a filme. O fato de estarmos discutindo abertamente o segundo filme é surreal e muito legal e eu estou feliz. Eu espero que o resultado seja alo digno do seu tempo. Mas é uma daaquelas coisas que eu simplesmente não sei. Portanto, eu não posso presumir que será uma série que irá além desses dois. Nós temos ideias para alguns filmes e as discutimos? Claro! Você não pode evitar de dizer ” Oh, seria bem legal se pudessemos fazer isso ou criar aquilo ali”! Você joga essas coisas a sua volta. Mas não podemos presumir que irá ser alo mais que um outro filme que temos sorte o bastante de fazer.

Sobre a possibilidade de trazer outros elementos estabelecidos no cânone para a franquia “Star Trek” que ele recriou:
Abrams: Indo adiante, o legal de uma série de filmes é que temos a oportunidade, dado o devido tempo, de cruzar caminhos com qualquer das experiências, lugares e personagens que existiam na série original. Temos de ser cautelosos, obviamente, ao fazer isso. Eu não quero fazer algo tão intrínseco que apenas os fãs radicais irão gostar. Estamos trabalhando no roteiro e começando o processo de quebrar a história, mas eu te garanto que não importa qual seja a história e o filme terminado, eu sei que será algo que funcionará em seus próprios termos e será algo que você não precisará estudar ou conhecer Star Trek a fundo para entender. Mas, se você for um fã, haverá conexões e prêmios, referências, personagens que você presa e ama. Pelo menos essa é a intenção.

Sobre filmar Star Trek em 3-D:
Abrams: A Paramount conversou comigo para que filmássemos o primeiro em 3D e sendo ele apenas meu segundo filme, eu fiquei petrificado com a possibilidade de fazer isso. Eu pensei que seria uma outra dimensão de “encheção de saco”. Eu pensei: “Eu quero fazer um filme em 2D decente.” Eu fiquei preocupado que ao invés de fazer um filme 2D decente eu faria um 3D ruim. Eu estou aberto a ver isso agora que eu me sinto mais confortável. E, de fato, dirigir a sequência de Star Trek em 3D seria bem divertido, então eu estou aberto a possibilidade. O que eu vi em “Avatar” me faz querer fazâ-lo porque é tão louco e divertido de se ver.

shatner

Sobre a possibilidade de incluir William Shatner na sequência:
Abrams: Essa coisa com o Shatner sempre é reavivada. Sendo alguém que era um fã de William Shatner, de uma forma enorme, apenas pelos episódios de “Além da Imaginação” que ele fez, e então apreciando completamente o que ele fez na série original, mas não sendo um fã até começar a trabalhar nesse filme, foi uma conclusão que queríamos ele no filme. O problema é que seu personagem morreu na tela em um dos filmes de Star Trek (no caso, Gerações), e como queríamos nos prender ao cânone Trekkie o melhor que pudéssemos, o que era um enorme desafio, porque nem sempre a série original se prende ao cânone direito, as maquinações necessárias para ter Shatner no filme seriam muito difíceis de fazer, em conformidade com a história que queríamos contar, e ainda, a dar a ele um tipo de papel que ele gostaria de participar. Era uma coisa que pareceria com uma peripécia, o que honestamente, para mim, pareceria uma distração. Tendo dito isso, seria bom ter ele no filme? Claro. Seria bom trabalhar com ele? Sem dúvida alguma. Eu estava excitado para trabalhar com ele da mesma forma que estava para trabalhar com o Sr. Nimoy, que nós por sorte tivemos no filme. Em termos de ir adiante, eu estou aberto a tudo. Eu adoraria achar um jeito, dado o desafio de introduzir esses novos personagens e o desafio de contratar essas pessoas. Eu sinto que o primeiro filme teve o trabalho de erguer todo esse peso que precisava ser erguido, dando a possibilidade de continuarmos indo em frente. Talvez haja menos desafio e mais oportunidades de trabalhar com ele de novo. Eu adoraria trabalhar com ele. Nós nos conversamos. Na verdade, nós temos uma almoço planejado. Eu sou um fã. Eu sou amigo dele. Ou, pelo menos, ele é um amigo meu. Ele pode dizer de outra forma em seu blog hoje. Eu não tenho idéia. Mas, eu simplesmente não tenho como não gostar dele e adoraria trabalhar com ele.

Sobre a possibilidade de incorporar a tradição de Star Trek de alegorias de eventos atuais, metáforas filosóficas na história da sequência:

Abrams: É difícil de dar uma resposta a essa questão. Eu não acho que, seja Star Trek ou qualquer coisa, que esteja sendo investigado, criado ou produzido agora, em filmes ou TV, precisa levar o contexto que está sendo distribuido em consideração. Não é um vácuo. Há certos temas universais como amor, conflito, lealdade ou família que são eternos e que devem ser apresentados de uma forma que os faça relevantes, mesmo se for uma peça de época. Você deve levar em consideração o contexto do filme, da história e do qual aqueles personagens estão sendo vistos. Mas, tendo dito isso, com Star Trek, não é nossa intenção fazer o segundo filme com uma alegoria política pesada. Eu acho importante ter uma metáfora para aquilo que sabemos e o que é relevante, e eu acho que alegoria é algo que fez seriados como “Além da Imaginação” e “Jornada nas Estrelas” ressoar e ainda ser vital até hoje. Porém, em razão do primeiro filme ser tanto sobre apresentar essas pessoas, e era um filme introdutório sobre como unir essas pessoas, foi difícil também fazer um filme mais profundo sobre os conflitos, certas relações e o âmago de quem cada um desses personagens é. Eu acho que ele teve sucesso em introduzir essas pessoas, mas eu sinto que agora que nós fizemos isso, é obrigação do segundo filme ir mais a fundo. Ele não precisa ser menos divertido ou se levar a sério demais, mas sim, considerar essas pessoas e crescer com elas, e as examinar com mais proximidade, agora que já se foi a época de gracejos e apresentações.

Sobre a recente sugestão de Leonard Nimoy de que o futuro de Star Trek não precisa dele:
Abrams: Eu não consigo imaginar um filme de Star Trek sem ele. Eu tenho certeza que o que ele está dizendo é uma combinação de modéstia de honestidade. Ele pode realmente se sentir assim. Mas, a verdade é que, não teríamos conseguido fazer esse filme sem ele, e trabalhar com ele de novo seria um prazer. É claramente cedo demais, ainda mais que estamos falando da história, para dizer se o Spock original estará no filme ou não. Se eu quero trabalhar com ele de novo? Claro, cem por cento, eu adoraria.

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