James Cameron fala sobre tema central de Avatar: Fogo e Cinzas e comenta futuro de Hollywood e IA

James Cameron fala sobre luto, ódio e ciclos de violência em Avatar: Fogo e Cinzas e reflete sobre cinema, tecnologia e o futuro da humanidade.


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Em entrevista, James Cameron explica os temas de Avatar: Fogo e Cinzas e comenta os desafios atuais de Hollywood e da inteligência artificial.

Mesmo com o desgaste da franquia O Exterminador do Futuro nos cinemas, o diretor James Cameron garante que a saga ainda não está encerrada. O cineasta confirmou que está trabalhando em um novo filme da série, embora sem dar detalhes sobre quando o projeto deve sair do papel. Enquanto isso, seu foco imediato está em Avatar: Fogo e Cinzas, terceiro capítulo da franquia ambientada em Pandora, que é a grande estreia deste final de semana.

Em entrevista à Esquire, Cameron explicou que o novo filme se distancia do discurso ambiental mais direto dos dois longas anteriores para explorar um tema mais íntimo e universal. Segundo ele, Fogo e Cinzas é, acima de tudo, uma história sobre luto. “O tema é a perda. Quis explorar o significado e as consequências disso”, afirmou o diretor. Para Cameron, grandes blockbusters costumam tratar o assunto de forma superficial, apostando em vingança e reações explosivas. “O luto pode ser paralisante, e é isso que acontece com Neytiri no início do filme”, explicou.

O cineasta também comentou o simbolismo do título. O “fogo” representa tanto uma nova e hostil tribo Na’vi apresentada no filme quanto a destruição e o ódio, enquanto as “cinzas” remetem ao luto. “As cinzas simbolizam a dor que alimenta o fogo do ódio em um ciclo sem fim”, disse Cameron, relacionando o conceito a conflitos reais e contemporâneos. Ele ainda revelou que Avatar 2 e Avatar 3 funcionam como partes de uma mesma narrativa, enquanto os capítulos quatro e cinco — caso sejam realizados — devem seguir outro caminho.

Questionado sobre o atual estado de Hollywood, Cameron foi direto ao apontar os impactos negativos da pandemia, da explosão dos streamings e das recentes greves. Segundo ele, os grandes investimentos diminuíram drasticamente e filmes baseados em efeitos visuais passaram a ser vistos como arriscados. “O verdadeiro custo não está na tecnologia, mas nas pessoas — nos artistas que criam esses efeitos”, afirmou.

Sobre inteligência artificial, o diretor adotou uma postura cautelosa. Embora não descarte o uso da tecnologia no futuro, Cameron deixou claro que não pretende utilizá-la para criar imagens finais ou substituir performances humanas. “Se quero mais emoção em uma cena, eu simplesmente peço ao ator. Eu confio no processo”, disse, fazendo questão de diferenciar a IA atual da inteligência artificial ameaçadora imaginada em O Exterminador do Futuro 2.

Por fim, Cameron reforçou sua visão pessimista — e ao mesmo tempo esperançosa — sobre o futuro da humanidade. “Todos os meus filmes dizem, no fundo, que estamos ferrados. Mas também dizem que somos inteligentes, fortes, e que o amor é o que nos mantém unidos”, concluiu.

Avatar: Fogo e Cinzas dá sequência aos eventos de Avatar: O Caminho da Água e expande ainda mais a mitologia do planeta Pandora. O elenco conta novamente com Sam WorthingtonZoe SaldañaSigourney Weaver e Stephen Lang.

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