Cuba Gooding Jr. teve seu primeiro papel de expressão no cinema em “Boys N The Hood”, de 1991. O filme mostrava o cotidiano de jovens negros da periferia, envolvendo-se com drogas e criminalidade, sempre com o espectro da morte ou da cadeia rondado suas vidas. Cuba era o jovem Tre, que contava com o apoio do pai para se manter longe das armadilhas das ruas. Em Jogada de Rei (Life of a King/E.U.A,2013), o ator toma o vértice ocupado por Lawrence Fishburne no filme dirigido por John Singleton há 23 anos.
Baseado em fatos reais, a trama mostra a trajetória de Eugene Brown (Cuba), ex-detento com certa dificuldade de inserção no mercado de trabalho devido à sua condição, algo comum também na terra do Tio Sam. Além disso, tem problemas de relacionamento com a filha, hoje estudante de Direito e seu filho que acabou se envolvendo com crime e foi preso. Brown consegue um emprego de faxineiro em uma escola, daquelas problemáticas, de alunos de periferia étnica. Quando uma professora tem problemas para lidar com a turma da detenção (a sala do castigo, para onde vão os desajustados e indisciplinados) e abandona o posto, Brown assume e, após o óbvio conflito com os alunos, apresenta-os ao xadrez, como forma de disciplina e assim mantê-los longe do crime e das drogas. Quando descoberto seu passado penitenciário, Brown é demitido, mas continua seu projeto fora da escola, sempre estabelecendo um paralelismo entre decisões tomadas no jogo com aquelas tomadas na vida. Apesar de estar sempre a um passo do piegas, Jogada de Rei traz um resultado relativamente satisfatório.
A história traz todos os clichês de filmes do gênero: trilha sonora composta de hip hop e R&B, o jovem promissor no limite entre a marginalidade e a vida digna, o jovem seduzido pelo crime, o jovem com problemas com o padrasto violento e a mãe bêbada e drogada e o “professor” com a missão de salvar todos eles. Já vimos isso incontáveis vezes. É o segundo filme da carreira do diretor novaiorquino Jake Goldberger, que também assina o roteiro e certamente assistiu ao supracitado Boyz N The Hood, “Mentes Perigosas” e “Escritores da Liberdade”.
A despeito de seguir a receita de bolo, sem nenhum elemento inovador ou que salte aos olhos no que tange à pretensão artística, a trama é bem contada, os personagens têm seus dramas desenvolvidos a contento e conta com atuações bastante convincentes do elenco jovem, apesar da pouca experiência da maioria. Tem todo o aspecto de filme institucional patrocinado pela secretaria de educação, daqueles criados para ensinar superação aos jovens menos favorecidos e mantê-los longe de confusão, sem falar na questão da afirmação racial, que não chaga a ser declarada, mas é visível nas entrelinhas. Mas isso, na maior parte da projeção não chega a incomodar.
"Jogada de Rei" traz clichês, mas não incomoda
Cuba Gooding Jr. teve seu primeiro papel de expressão no cinema em “Boys N The Hood”, de 1991. O filme mostrava o cotidiano de jovens negros da periferia, envolvendo-se com drogas e criminalidade, sempre com o espectro da morte ou da cadeia rondado suas vidas. Cuba era o jovem Tre, que contava com o apoio…

Boyz N The Hood Cuba Gooding Jr Escritores da Liberdade Jake Goldberger Jogada de Rei John Singleton Lawrence Fishburne Mentes Perigosas
Compartilhe
/








Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.