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"Jurassic World: Reino Ameaçado" funciona dentro de seu senso sombrio de entretenimento

As sequências de Jurassic Park (1993) da década de 90, que vieram a reboque do sucesso do sensacional filme de Steven Spielberg (com trilha sonora inesquecível de John Williams), sofreram com a dificuldade de complementar seu êxito absoluto. Isso fico bem claro pelo tom genérico dos resultados. O reboot de 2015 já deu um frescor para a franquia, impulsionado pela figura carismática de Chris Pratt, aliado a uma bem vinda compreensão de um bom roteiro de entretenimento. Jurassic World: Reino Ameaçado vem a ser a primeira sequência dessa espécie de “nova era” e, sob a direção do espanhol Juan Antonio Bayona (O Orfanato), conjuga em si todos os bons elementos que tornaram a franquia o sucesso que é.
Quatro anos após os acontecimentos do filme de 2015, a ilha Nublar está prestes a ser destruída por um rigoroso vulcão em erupção. Um milionário contrata uma equipe de especialistas para resgatar os dinossauros da iminente extinção, levando-os para outro paraíso de conservação.
Paralelamente a isso, o governo americano discute se institucionalmente deve ou não deixar os dinossauros onde estão – inclusive com a volta de um personagem importante da década de 90. Após o Senado tomar sua decisão, a ex-gerente do parque Claire (Bryce Dallas Howard, retomando o papel fazendo piada com a polêmica do salto alto no filme anterior) é solicitada para tentar ajudar na missão, e conta com a ajuda de Owen Graddy (Pratt).

O roteiro tem uma viradas na trama envolvendo manipulação genética e ganância familiar (previsíveis) que funcionam, e outras possibilidades – como o fato da própria Claire ter mudado de um filme para o outro sua percepção sobre os dinossauros – passam batido.
Bayona imprime sua personalidade mais soturna e o tom do filme ganha ares mais sombrios, sobretudo no tenso terceiro ato, que poderia mesmo ser pensado pela mente por trás de O Orfanato. Obviamente, como franquia bilionária que virou – o último filme rendeu sozinho mais de 1,5 bilhão de dólares – essa sequência manteria as bases dramatúrgicas passadas. Entretanto o faz de maneira eficiente, oferecendo momentos de tensão e criativas soluções dramáticas dentro do universo que criou.
Nem o fato de o T-Rex ser sempre usado como solução rápida para algumas armadilhas do roteiro, incomodam seriamente. Jurassic World: Reino Ameaçado é aquela superprodução que existe para entreter desavergonhadamente, mas com tintas fortes de uma direção de personalidade. E ainda tem um final um tanto angustiante (bem no sentido Madrugada dos Mortos de ser…), que abre caminho para uma terceira parte que promete ser ainda mais tensa. Que mantenham Bayona no comando. A franquia vai precisar muito…
Filme: Jurassic World: Reino Ameaçado
Direção: J.A. Bayona
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall
Gênero: Aventura/Ficção Científica
País: EUA
Ano de produção: 2018
Distribuidora: Universal Pictures
Duração: 2h 08min
Classificação: 12 anos

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