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Man of Steel – apenas um espetáculo visual

Para colocar tudo em termos de Nolan, Man of Steel (O Homem de Aço, no Brasil) é provavelmente o filme do Superman que o mundo precisava, mas não o que ele merecia. Apesar de impressionante visualmente e de vários momentos interessantes, o novo longa de Zack Snyder não chega a ser um bom filme para o herói mais clássico da DC comics.

A atitude da Warner é compreensível, nos últimos anos ela viu sua grande rival encher seus cofres de dinheiro em cima de suas franquias e arrebatar uma multidão de fãs para heróis até então menos conhecidos do grande público. Em meio a esta maré de azar a única coisa que manteve a empresa com uma boa imagem e com bons lucros foram os filmes do Batman (cujo segundo pode facilmente ser considerado o melhor filme de super-herói já produzido). Por essa razão Nolan e David Goyer, a dupla responsável pelos filmes do morcego foi chamada para dar as cartas e escrever o roteiro do novo Superman.

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O que fica claro durante o filme é que a dupla procurou fazer uma versão mais séria e “sombria” do homem de aço, mas o que funciona com o Batman nem sempre é o ideal para o Super-homem. Nolan é um especialista neste tipo de filmes,  The Prestige, Inception e certamente em toda a série do cavaleiro-das-trevas podem ser caracterizados como longas sombrios com uma virada fantasiosa, provando que o diretor trabalhou com o seu herói perfeito. Entretanto, Clark Kent sempre teve temas diferentes, suas histórias são muito mais sobre esperança e otimismo e ainda que o filme pincele de forma leve estas temáticas, elas ficam um tanto esquecidas no meio do sentimento predominante de ostracismo e alteridade.

A coisa mais bacana de Man of Steel é a ênfase dada ao Sci-fi, o filme tem a capacidade incrível de transitar de ambientes entre Kripton e a Terra sem que isso pareça estranho ao espectador. O design é outro ponto fantástico, das armaduras com capacetes translúcidos, passando pelas naves de batalha, até as interessantes telas de metal líquido, a tecnologia kriptoniana ganha um visual diferenciado e marcante, que mostra dá muita força a este aspecto de ficção científica do filme.

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Zack Snyder é um diretor normalmente fraco para grandes atuações ou contar histórias emocionalmente marcantes, o mesmo se repete aqui, Man of Steel é um espetáculo visual, algo que certamente merece ser assistido no cinema, mas falha em criar muita empatia ou sair de emoções rasas e triviais. Isso não seria um problema se o filme não tentasse se levar muito a sério o tempo todo, o que acaba contribuindo para dar ainda mais ênfase nas coisas ridículas que acontecem no roteiro. Sobre a direção dos atores, ainda que Russel Crowe como Jor-El e o General Zod de Michael Shannon estejam bem caracterizados e interessantes, o protagonista, vivido por Henry Cavill não chama muita atenção.

A sempre importante figura de Lois Lane (a competente Amy Adams) vive um personagem estranho no roteiro, durante a metade inicial ela é excelente ao buscar a verdade sobre os alienígenas na terra, já na segunda parte, quando vira a donzela em perigo, muito do que nos fazia torcer por ela acaba se perdendo em um forçado romance sem muita química e um sequestro sem muita lógica.

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O filme brilha mesmo nas cenas de ação, com alguns dos combates mais incríveis já mostrados por um filme de super-herói. A coisa funciona tão bem que a principal referência durante as trocas de socos, parece ser mais Dragon Ball Z do que a própria DC Comics. Vários personagens se movem e lutam de uma forma quase exatamente igual a tradicional saga de Akira Toriyama. Neste quesito o longa consegue divertir muito, não apenas pelos seus belos efeitos mas também pela boa velocidade e coordenação dos diversos embates. A cena do Super-homem aprendendo a voar é particularmente excelente.

No quesito roteiro, temos uma história de origem tradicional, com uma ênfase um pouco maior no lado Kriptoniano. A história gira em torno do auto-descobrimento de Clark, e busca de Zod por um tradicional macguffin (objeto irrelevante que dá prosseguimento a trama) supostamente colocado na nave de Kal El quando ele era bebê. Ainda que o roteiro não apresente grandes falhas, ele também não possui nada de especialmente interessante ou diferente, e algumas falas são terrivelmente escritas.

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É interessante que um dos maiores focos do filme é o medo de Clark de descobrirem sua origem alienígena, reação que efetivamente se comprova verdadeira devido ao medo que as pessoas demonstram ao presenciarem seus poderes. Esta é uma visão um tanto diferente dos demais filmes e quadrinhos, onde o povo abraça o Super-Homem, como um humano excepcional e verdadeiro filho da terra. Esta descrença na herança alienígena é em grande parte uma das características mais marcantes do clássico vilão Lex Luthor, que está completamente ausente neste longa. O ostracismo e a alteridade são temas brilhantes para uma história do Superman, infelizmente faltou profundidade e impacto emocional para que estes sentimentos fossem abordados de maneira adequada.

Outra grande problema da escolha deste tom sombrio e pseudo-realista se dá pela continuidade do universo DC. Será que a Warner, a partir do sucesso de Man of Steel, irá se focar neste tipo de abordagem para fazer o filme da Mulher-Maravilha, do Flash ou da Liga da Justiça? Será que um filme de um grupo de super-heróis coloridos consegue ser produzido de maneira sóbria e séria?

Man of Steel é um filme divertido e visualmente muito interessante para se ver no cinema. Infelizmente, faltou percepção e tato para torna-lo qualquer coisa a mais do que isso. O longa certamente irá agradar aqueles que detestaram a versão anterior realizada por Bryan Singer, mas para as pessoas que esperam um filme de qualidade, como Batman, irão se desapontar.

[xrr rating= 2,5/5]

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