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Megamente: Um superlativo um tanto limitado

Até a retórica cansa… Pensei nisso ao fim da sessão da mais nova animação da Dreamworks “Megamente”. Não que seja um filme ruim. Estão lá todos os ingredientes que deram status e importância ao gênero de animação nas ultimas décadas: texto inteligentemente universal, preciosismo estético e certa ironia comportamental. Aí é que está. Acaba que com toda a sua graça, resulta em mais do mesmo. Toda animação agora tem que parodiar a sociedade e inverter a lógica do sentido de heróis. Afinal, Shrek, Meu Malvado Favorito e Monstros S.A. não são assim?

Na história, o pequeno Megamente (Will Ferrell na versão original e Cláudio Galvan na nacional) aterrissa numa penitenciária e é criado por vários criminosos. Logo, ele mostra sua aptidão para inventar máquinas e toda sorte de engenhoca para impressionar os outros, mas sempre é obscurecido pelo garotinho da outra cápsula, que teve uma criação generosa e ficou conhecido como Metro Man (Brad Pitt em inglês, Thiago Lacerda em português).

Já adultos (e inimigos mortais), os dois duelam uma última vez e Megamente consegue massacrar o super-herói. Sem seu rival, o lorde do mal não se sente bem. Pelo contrário, ele se vê num vazio imenso sem ninguém para se opor às suas vilanias, sentindo até culpa por seus atos, e começa a se questionar sobre o porquê dele mesmo não ser um super-herói – e, é claro, esse questionamento trará muita dor de cabeça para ele (e para a cidade de Metro City).

Como tem se mostrado uma alternativa bem mais inteligente ao cinema, as animações estão cada vez mais ambiciosas e aos poucos isso tem se tornado uma obsessão tamanha que acaba por tolir a real criatividade que o gênero poderia render. Se Megamente tivesse sido lançado há uns dez anos atrás talvez ainda teria algum impacto de originalidade, mas hoje acaba limitado ao risinho descompromissado de uma piada bem engendrada. Relativizar a figura do herói já foi visto até no megasucesso Os Incríveis. E por mais que alguns bons momentos aticem nosso entusiasmo, no fim das contas o maior vilão não é vencido pelo protagonista: a fatídica previsibilidade.

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