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Meu Novo Brinquedo: previsível, mas adorável

Remake de clássico dos anos 70 diverte e emociona

Já há muitas décadas povoa nosso imaginário a história do “pobre menino rico”: aquele que tem tudo que o dinheiro pode comprar, mas não é feliz. Em geral órfão de mãe, tem um pai workaholic que não dá a devida atenção ao rebento. A situação muda com a convivência com uma pessoa de classe social mais baixa, porém cheia de traquejo e até sabedoria. É uma fórmula conhecida, talvez até batida, mas que funciona. E funciona tanto que continua sendo empregada, como acontece no filme francês “Meu Novo Brinquedo”.

Alexandre Étienne (Simon Faliu) tem tudo, mas não tem mãe. Ele não está acostumado a ouvir um “não” como resposta, e vai novamente testar sua soberba na loja do pai, onde poderá escolher o presente de aniversário que quiser.

Sami Chérif (Jamel Debbouze) não tem nada exceto dívidas e está prestes a se tornar pai. Ele não está acostumado a ver as coisas dando certo para ele, por isso um emprego como segurança noturno numa grande loja parece ser a oportunidade perfeita de se reerguer. As coisas vão bem em sua primeira noite, até que Alexandre chega à loja e faz uma demanda inusitada: ele quer que Sami seja seu presente de aniversário.

Philippe (Daniel Auteuil), pai de Alexandre, é fundador e diretor do grupo Étienne, que abarca várias empresas, inclusive aquela em que trabalha a esposa de Sami, e que está prestes a fechar, deixando muitas pessoas do bairro sem emprego. Estas pessoas organizam protestos, que se tornam mais intensos quando descobrem o acordo empregatício de Sami – um homem chega a dizer que a situação de Sami representa “a derrota do indivíduo frente ao sistema capitalista”.

O desenrolar da história é certo: em seu contato com Sami, Alexandre vai desabrochando e prova não ser uma criança tão detestável como parecia à primeira vista: ele é só um garotinho que sente saudade da mãe, cuja saúde o dinheiro não foi capaz de comprar, e precisa de um pai mais presente.

Há alguns momentos realmente hilários na primeira parte do filme, como Sami vendendo bules com dois bicos e o fato de os vizinhos escutarem e darem palpite em todas as conversas no apartamento de Sami. Conforme o tempo de projeção avança, o filme se torna menos engraçado e mais emocionante, mas de uma maneira previsível.

Meu Novo Brinquedo é o remake do filme “Le Jouet”, de 1976, do diretor e roteirista Francis Veber, que já havia tido um remake em língua inglesa em 1982, no filme “O Brinquedo / The Toy”. O também diretor e roteirista do novo filme, James Huth, conta que preferiu mudar o foco – no original o “brinquedo” é um jornalista que trabalha para o pai do menino rico e decide expor o patrão escrevendo sobre ele no jornal – para tocar mais profundamente nos dois modelos de paternidade: o ausente, representado por Philippe Etienne, e o presente ainda que claudicante, que Sami deseja ser para seu filho ou filha. James não dispensa elogios para seus protagonistas:

“O que é ótimo em Daniel é que, por mais durão que seja, sempre vemos a humanidade por trás de seu personagem. Foi necessário um ator excepcional para conseguir colocar essa rachadura e esse sofrimento por trás da frieza e da dureza.

[…]

Jamel atingiu uma maturidade que lhe permite tocar qualquer partitura, com uma emoção incrível. Ele é um grande ator, trabalhador, que sabe colocar sua inteligência a serviço do filme. Assim que ele se comprometeu com o projeto, retrabalhamos o roteiro juntos para adaptar seu personagem para que ele pudesse torná-lo seu e nutri-lo da melhor forma possível.”

Um filme que capricha nas emoções e na direção de arte – um destaque é o quarto futurista de Alexandre – Meu Novo Brinquedo não quer ser uma obra-prima, mas sim fazer rir e emocionar. E ele consegue, imprimindo originalidade, apesar dos clichês, algo até raro em remakes.

Meu Novo Brinquedo

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Nota: 6/10 Bom
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