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“Meu Passado Me Condena 2” se resume a diluição de gags

Assistir Meu Passado Me Condena 2 é a confirmação do velho paradigma do quanto o sucesso pode corromper. Ou melhor, se auto corromper.

O primeiro filme, de 2013, era uma comédia romântica que, amparada numa hilária química de seus ótimos protagonistas, em especial a organicidade humorística de Fabio Porchat, retratava o cotidiano de um casal de forma divertidamente romantizada, com boas tiradas e que realmente se justificava pelo bom conjunto conseguido pela diretora Julia Rezende.

Mas os mais de 3 milhões de espectadores, e o dinheiro que obviamente isso trouxe, acabou por banalizar a história de tal maneira que praticamente só expôs a falta de consistência que a despretensão (mercadológica?) evitou no filme anterior.

Fábio e Miá (Miá Mello) enfrentam a primeira crise conjugal. Ela pede o divórcio, mas acaba sendo convencida a embarcar com ele para Portugal para consolar o avô (Antônio Pedro), que acabou de ficar viúvo. Lá, Fábio reencontra sua namorada de infância, Ritinha (Mafalda Rodiles), que agora é noiva de Álvaro (Ricardo Pereira), seu rival desde menino.

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O talento dos atores ainda é a melhor face da trama, entretanto, um grande problema que a junção da direção e do roteiro permite é o da inversão do domínio de gags. Se no primeiro filme as gags estavam a serviço da história, aqui, acontece o contrário, e isso é tão flagrante que o roteiro é, em geral, condescendente ao oportunismo da circunstância (estruturalmente é uma derivação da própria primeira narrativa), mesmo que, paradoxalmente, escapem uns bons diálogos.

Outro clichê já corriqueiro no nosso mercado, é a ambientação internacional, no caso, em Portugal, que nada acrescenta para além de reforçar as… gags de caricaturas culturais. É uma pena de verdade que o oportunismo tenha falado mais alto que a vontade de retratar de forma cômica o cotidiano de um casal da chamada “Geração Y”.

Dá quase para lamentar o sucesso de 2013. Talvez assim, teríamos na memória apenas o que o passado na verdade, a nada condenava.

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