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Mostra inédita dos Irmãos Lumière marca a reabertura do CCBB RJ

A mostra Lumière Cineasta é o destaque na reabertura do CCBB Rio de Janeiro bem em tempo de comemorar os 125 da primeira sessão pública de cinema, realizada em 28 de dezembro de 1895, pelos irmãos Auguste e Louis Lumière ao projetaram no Salão Indien do Grand Café, em Paris, para espanto e encantamento dos presentes, os seus primeiros filmes, as chamadas “vistas”.

Entre as obras exibidas estavam O regador regado, I (Arroseur et arrosé, I), e Saída da fábrica (Sortie d’usine) que abrem a mostra Lumière Cineasta, em duas sessões, no dia 27 de novembro (sexta-feira).

Toda a emoção do cinema de volta à sala do Centro Cultural Banco do Brasil até 20 de dezembro. Serão exibidas 114 vistas, produzidas entre 1895 e 1905, em diálogo com 38 produções de diversos diretores, formatos e épocas.

Todas as vistas Lumière (filmes, na sua maioria, de um único plano de 50 segundos, a duração do rolo de película de 17 metros), serão exibidas em formato digital full HD. Elas foram divididas em 19 programas, que destacam os principais temas abordados nos filmes da Societé Lumière – cidade, natureza, trabalho, viagem, retrato familiar, registro da modernidade etc. A maioria das sessões será iniciada com uma seleção de vistas Lumière, complementada por filmes (curtas, médias e longas-metragens) como Um dia no campo (Jean Renoir, 1936), Playtime (Jacques Tati, 1967), Do polo ao Equador (Angela Ricci Lucchi e Yervant Gianikian, 1986), Goshogaoka (Sharon Lockhart, 1997) e outras obras de cineastas como Buster Keaton, Dziga Vertov, Vittorio De Seta e Shirley Clarke, entre outros.

“A mostra surgiu de uma vontade de ver os filmes dos Lumière não apenas como marcos históricos e os irmãos não só como homens de ciência ou comerciantes, mas também como cineastas de fato. Ou seja, artistas – pessoas que tiveram um pensamento criativo sobre o que fizeram. O caminho que imaginamos para realizar a mostra foi colocar os Lumière em relação ao cinema posterior, buscando entender como eles serviram de influência ou inspiração para outros nomes das décadas seguintes”, comenta Lucas Baptista.

Dentro da programação da mostra será oferecido um curso gratuito de quatro aulas, on-line, sempre às 19h, com a professora de cinema da UFF Lúcia Ramos Monteiro (“O mundo e o fundo: Camadas de visão no cinema dos Lumière”, dia 25/11), o curador Calac Nogueira (“Lumière, Thomas Edison e atração”, 02/12), o pesquisador e crítico de cinema Luiz Carlos Oliveira Júnior (“Retratos em movimento”, 09/12) e o curador Lucas Baptista (“O futuro de uma invenção: Hollis Frampton e o catálogo Lumière”, 16/12). Não precisa fazer inscrição para o curso e o link para as aulas será divulgado na página da mostra no Facebook: www.facebook.com/lumierecineasta

Haverá também uma “sessão inclusiva”, com audiodescrição, LIBRAS e legendagem descritiva, do programa “Rumo ao Oriente”, no dia 21/12, às 15h.

OS FILMES DA SOCIETE LUMIERE

A primeira sessão de cinema apresentou ao mundo o cinematógrafo, aparelho desenvolvido por Louis Lumière, que era, ao mesmo tempo, uma câmera portátil, movida à manivela, permitindo o deslocamento dos operadores e com isso o registro de lugares distantes, e também um projetor que exibia as imagens em movimento em tela grande, associando o cinema à ideia de espetáculo. A portabilidade do cinematógrafo permitiu um rápido domínio pelos Lumière do mercado de espetáculo de projeção de imagens animadas nos primeiros anos de cinema. Em 25 de janeiro de 1896, os irmãos abriram a primeira sala de cinema em Lyon, seguida por salas em Londres (20 de fevereiro), Bruxelas (29 de fevereiro), três salas em Paris (abril) e em várias outras cidades do mundo.

Entre 1895 e 1905, a companhia Lumière produziu um total de 1.428 filmes, que ficaram conhecidos como “vistas”. Destes, apenas 114 passaram por um trabalho de restauração recente e estão disponíveis em alta resolução. “Nós trouxemos também algumas vistas não restauradas, que praticamente não circulam, e a diferença é gritante. Nas restauradas você percebe muito mais informação na imagem, o que é importantíssimo para o tipo de relação que se tem com a obra dos Lumière”, ressalta Calac Nogueira.

Os filmes da Societé Lumière se destacam especialmente na produção documental. O catálogo de vistas era composto majoritariamente por registros de espaços públicos, praças, ruas, monumentos, além de cenas familiares, cenas de trabalho, eventos, paradas e exercícios militares. Uma parte significativa é composta ainda por vistas de viagem, filmadas em toda a Europa (Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália, Suíça, Rússia), mas também na América (México, Estados Unidos, Martinica) e no oriente (Japão, Egito, Jerusalém e, em especial, Indochina Francesa, atual Vietnã, na época colônia francesa).

Um dos gêneros de destaque no catálogo Lumière são os chamados “panoramas”: vistas filmadas de trens, carros ou barcos em movimento, que são considerados os primeiros movimentos de câmera do cinema. Um dos exemplos mais famosos é o Panorama do Grande Canal de Veneza filmado de um barco (1896), registrado pelo operador Alexandre Promio de uma gôndola em Veneza. O catálogo da produtora conta ainda com pequenos filmes de comédia e cenas históricas reconstituídas, além de cenas religiosas, como a da Paixão de Cristo.

As vistas documentais se notabilizaram pela maestria visual e pela captura do movimento vivo das ruas. Para os operadores – que trabalhavam com uma câmera sem visor – tratava-se sempre de encontrar o melhor ângulo para dar conta da cena que desejavam registrar. Essa busca pelo ponto de vista ideal resulta em filmes de uma extrema riqueza visual, que apresentam relações inusitadas entre entradas e saída de campo, entre primeiro plano e plano de fundo da imagem.

Vistos hoje, os filmes da Societé Lumière encarnam perfeitamente a mentalidade moderna da virada do século XIX para o XX. São comuns nesses filmes “imagens do progresso”, registros trens, navios, balões e máquinas em geral. Há um predomínio do registro do espaço urbano sobre o rural. Uma série de 26 vistas foi dedicada apenas à Exposição Universal de 1900, em Paris.

As vistas de viagem, por outro lado, repercutiam o impulso colonialista da França naquele período. A série de vistas realizadas por Gabriel Veyre na Indochina Francesa, atual Vietnã, oferecia aos franceses um vislumbre dos territórios coloniais de além-mar. Imagens vindas do Japão, da Tunísia e de todo o Oriente Médio e norte da África davam ao público francês a possiblidade de olhar o outro, em uma relação na maioria das vezes marcada de exotismo.

“Há um verdadeiro corte entre o chamado ‘primeiro cinema’, que vai até cerca de 1905, e a nossa experiência de cinema hoje. Não só pela falta de narrativa nos filmes do primeiro cinema, mas porque as próprias práticas de exibição eram outras. O engajamento que o espectador precisa ter com a vista Lumière é muito diferente do que ele tem com um filme narrativo. A aproximação com filmes realizados em outros períodos foi a forma que encontramos para exibir esses filmes em sala de cinema e chamar atenção para certos aspectos dessa produção”, comenta Calac Nogueira

PROGRAMAÇÃO

Dia 25/11 – quarta-feira – introdução à mostra de filmes

19h (on-line) – Curso/Aula 1 – “O mundo e o fundo: camadas de visão no cinema dos Lumière”, com Lúcia Monteiro, professora de cinema e vídeo da UFF.

Dia 27/11 – sexta-feira

15h – Programa “A invenção do burlesco”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “The scarecrow”, “Neighbours”, “The goat”, “One week”, de Buster Keaton e Edward F. Cline (EUA, 1920/21). Digital. 91 min. Livre.

17h – Programa “Saída da fábrica”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Chapeleiros”, de Adrian Cooper (Brasil, 1983) + “Workers leaving the factory: Dubai”, de Ben Russell (EUA, 2008) + “La reprise du travail aux usines Wonder”, de Jacques Willemont (França, 1968) + “Am Ausgang der Fabrik”, de Harun Farocki (Alemanha, 1995). Digital. 91 min. Livre.

Dia 28/11 – sábado

15h – Programa “As folhas se movem”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Um dia no campo”, de Jean Renoir (França, 1946). Digital. 53 min. Livre.

16h30 – Programa “Cine-verdade”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Kino Pravda 5,6, 18 e 19”, de Dziga Vertov (URSS, 1922/24). Digital. 60 min. Livre.

Dia 29/11 – domigo

15h – Programa “Inventários”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Sink or Swim”, de Su Friedrich (EUA, 1990). Digital. 60 min. Livre.

16h30 – Programa: “Em construção”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Miséria em Borinage”, de Henri Storck e Joris Ivens (Bélgica, 1993) + “Em comparação”, de Harun Farocki (Alemanha, 2009). Digital. 109 min. Livre.

Dia 30/11 – segunda-feira

15h – Programa “Nos trilhos da modernidade”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “O trem de Lumière”, de Al Razutis (Canadá, 1979) + “The Georgetown Loop”, de Ken Jacobs (EUA, 1996) + “Jogos de reflexo e velocidade”, de Henri Chomette (França, 1925) + “Descaminhos 1”, de Marília Rocha (Brasil, 2007). Digital. 57 min. Livre.

16h30 – Programa “Ângulos da cidade”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905). 40 min. Livre.

Dia 02/12 – quarta-feira

15h – Programa “O mundo perdido”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Ilhas de fogo”(Itália, 1954) + “Enxofre” (Itália, 1955) + “O Tempo Do Peixe-Espada”, (Itália, 1954) + “Camponeses do mar” (Itália, 1956) + “Parábola do ouro” (Itália, 1955) + “Páscoa na Sicília” (Itália, 1955), de Vittorio de Seta. Digital. 70 min. Livre.

17h – Programa “Saída da fábrica”. Digital e 16mm. 91 min. Livre.

19h (on-line) – Curso/Aula 2: “O futuro de uma invenção: Hollis Frampton e o catálogo Lumière”, com o curador Lucas Baptista.

Dia 03/12 – quinta-feira

15h – “Louis Lumière”, de Éric Rohmer (França, 1968). Digital. 65 min. Livre.

16h40 – Programa “Jogos na metrópole”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Playtime”, de Jacques Tati (França, 1967). Digital. 133 min. Livre

Dia 04/12 – sexta-feira

15h – Programa “Figuras na paisagem”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Três paisagens”, de Peter Hutton (EUA, 2014). Digital. 70 min. Livre.

17h – Programa “Em construção”. Digital. 109 min. Livre.

Dia 05/12 – sábado

15h – Programa “Operários, camponeses”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Cedo demais, tarde demais”, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet (França/Egito, 1982). Digital. 115 min. Livre.

17h20 – Programa “Corpo em movimento”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Goshogaoka”, de Sharon Lockhart (EUA/Japão, 1997). Digital. 79 min. Livre.

Dia 06/12 – domingo

15h – Programa “Inventários”. Digital. 60 min. Livre.

16h30 – Programa “Devaneios e deslocamentos”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) +“Aurélia Steiner (Melbourne)”, de Marguerite Duras (França, 1979) + “Brasília, contradições de uma cidade nova”, de Joaquim Pedro de Andrade (Brasil, 1967) + “Bookstalls”, de Joseph Cornell (EUA, 1930). Digital. 77 min. Livre.

Dia 07/12 – segunda-feira

15h – Programa “Do polo ao Equador”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905). Digital. 30 min. Livre.

16h – Programa “A vida em ato”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “O movimento das coisas”, de Manuela Serra (Portugal, 1985). Digital. 98 min. Livre.

Dia 09/12 – quarta-feira

15h – Programa “Rumo ao oriente”: vistas Lumière, de Societé Lumière (França, 1895/1905) + “Índia, Matri Bhumi”, de Roberto Rossellini (Itália, 1959). Digital. 107 min. Livre. SESSÃO INCLUSIVA (com audiodescrição, LIBRAS e legendagem descritiva).

19h (on-line) – Curso/Aula 3: “Retratos em movimento”, com Luiz Carlos Oliveira Jr, pesquisador e crítico de cinema.

Dia 10/12 – quinta-feira

15h – Programa “Jogos na metrópole”. Digital. 133 min. Livre.

17h30 – “Louis Lumière”, de Éric Rohmer (França, 1968). Digital. 65 min. Livre.

Dia 11/12 – sexta-feira

15h – Programa “O mundo perdido”. Digital. 53 min. Livre.

16h30 – Programa “Rumo ao oriente”. Digital. 107 min. Livre.

Dia 12/12 – sábado

15h – Programa “As folhas se movem”. Digital. 53 min. Livre.

16h30 – Programa “Filme retrato”. Digital e 16mm. 116 min. Livre.

Dia 13/12 – domingo

15h – Programa “Rumo ao oriente”. Digital. 107 min. Livre.

17h20 – Programa “Em construção”. Digital. 109 min. Livre.

Dia 14/12 – segunda-feira

15h – Programa “A invenção do burlesco”. Digital. 91 min. Livre.

17h – Programa “Do polo ao Equador”. Digital. 30 min. Livre.

Dia 16/12 – quarta-feira

15h – Programa “Figuras na paisagem”. Digital. 70 min. Livre

19h (on-line) – Curso/Aula 4: “Vistas Lumière: documentos do acaso”, com Anita Leandro, professora da ECO/UFRJ e documentarista.

Dia 17/12 – quinta-feira

15h – Programa “Cine-verdade”. Digital. 60 min. Livre.

17h20 – Programa “Operários, camponeses”. Digital. 115 min. Livre.

Dia 18/12 – sexta-feira

15h – Programa “Rumo ao oriente”. Digital. 107 min. Livre.

Dia 19/12 – sábado

15h – Programa “A invenção do burlesco”. Digital. 91 min. Livre.

17h – Programa “Jogos na metrópole”. Digital. 133 min. Livre.

Dia 20/12 – domingo

15h – Programa “Paraíso reencontrado”. Digital. 98 min. Livre.

16h40 – Programa “Devaneios e deslocamentos”. Digital. 77 min. Livre

Serviço

Lumière Cineasta
Patrocínio: Banco do Brasil
Apoio institucional:
Cinemateca da Embaixada da França|Embaixada da França no Brasil
Curadoria: Calac Nogueira, Lucas Baptista e Maria Chiaretti
Produção: Raio Verde Filmes
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
De 27 de novembro a 20 de dezembro de 2020
Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020
Salas de Cinema 1 (47 lugares)
Ingresso: ENTRADA FRANCA

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