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Nausicaa do Vale do Vento, a primeira obra prima de Hayao Miyazaki

Mil anos após a guerra apocalíptica dos Sete Dias de Fogo, os últimos povoados humanos lutam para sobreviver longe do Fukai, uma floresta tóxica habitada por insetos gigantes que avança sem controle por toda superfície do planeta. Neste trágico cenário somos apresentados a Nausicaa, a última princesa da casa real do Vale do Vento, um pequeno reinado alheio às guerras de seus países vizinhos.

Intrépida e sensível, Nausicaa não aceita a degradante condição humana e busca no interior do Fukai descobrir uma maneira dos homens conviverem novamente em harmonia com o planeta. Porém, a pacífica vida de Nausicaa muda completamente após a queda de uma imensa nave de transporte em sua terra natal, sendo rapidamente envolvida na guerra dos reinados vizinhos que lutam pelo controle da última arma biológica reminescente da civilização industrial, o mesmo tipo de criatura responsável pela destruição desencadeado na guerra dos Sete Dias de Fogo.

Apesar de não ser a primeira produção de Hayao Miyazaki, Nausicaa do Vale do Vento (Kaze no Tani no Naushika, 1984) foi o primeiro filme onde Miyazaki exerceu total controle. Da adaptação de sua versão em mangá à edição final, o sucesso do filme nos cinemas japoneses abriu as portas para a criação do lendário Studio Ghibli no ano seguinte – que basicamente absorveu a equipe criativa que trabalhou em Nausicaa e o modo de produção do diretor, que participava intensamente até mesmo da revisão quadro a quadro da arte de seus filmes.

Em termos técnicos, Nausicaa do Vale do Vento é uma obra impecável para sua época e mesmo hoje em dia assusta pela qualidade de sua animação, que aliada a incrível trilha sonora de Joe Hisaishi praticamente não deixa espaço para críticas. Talvez o único ponto a se reclamar seja o fato do filme comprimir demais a trama desenvolvida por Miyazaki na versão em mangá, visto que no lançamento do animê Miyazaki só havia finalizado os dois primeiros volumes dos sete que compõem a obra. Por outro lado, a versão animada acaba se tornando mais ágil e direta ao exprimir sua mensagem em relação a sua versão impressa, eximindo assim esta crítica da obra.

Seja através da força feminina de Nausicaa; dos colossais insetos Ohmus; da sabedoria dos idosos do Vale do Vento; ou mesmo dos personagens dúbios que buscam a paz através da guerra, o filme expressa a tradicional preocupação de Hayao Miyazaki em transmitir através de suas obras questões de ordem práticas e filosóficas. Observa-se inclusive que a produção foi endorsada pelo WWF (World Wide Fund for Nature) na época de seu lançamento, tamanho poder da educativo da mensagem ecológica de Nausicaa do Vale do Vento.

Resumindo, um filme imperdível por sua primazia estética e beleza filósofica!

[xrr rating=5/5]

 

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Publicação Salvador Camino