O Anjo – um romance pulp com tintas quentes

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Anti-heróis sempre deram pano para manga na literatura, na TV e no cinema. O fascínio pelo fora-da-lei sedutor, não todo sem traços redentores, é inerente a nós, cidadãos “de bem”. Como não se encantar por essas pessoas que se negam a se encaixar nas regras de conduta impostas, por mais que extrapolem? “O Anjo” é inspirado na vida de Carlos “Carlitos” Robledo Puch, que, quando preso, foi o presidiário com a pena mais longa da história da Argentina, 45 anos. Acredita-se que ele tenha cometido mais de quarenta roubos e onze homicídios.

A trama se passa em 1972. Carlitos (Lorenzo Ferro) é um jovem de dezessete anos de idade, com uma arrogância de estrela de cinema, cachos loiros e um rosto de bebê, que lhe conferiram a alcunha de “Anjo da Morte”. Desde menino, cobiçava as coisas de outras pessoas, mas foi apenas no início da adolescência que seu verdadeiro chamado para o crime se manifestou. Quando ele conhece Ramón (Chino Darín) em sua nova escola, Carlitos é imediatamente atraído por ele e começa a se mostrar para chamar sua atenção. E assim se inicia uma jornada de descobertas, amor e crime que vai tomando contornos mais dramáticos.

O magnetismo transmitido pelo jovem Lorenzo Ferro e muito bem captado pela lente da fera Luis Ortega é, como pretendido, o que mais chama atenção. Filho do ator Rafael Ferro, o rapaz faz sua estreia em longas-metragens para o cinema com galhardia. O mesmo brilho se confere em Chino Darín, já com boa experiência nas telas e que honra o DNA. É filho do ator mais famoso da Argentina no exterior, Ricardo Darín.

A história se desenvolve de maneira fantasiosa, com viés de romance pulp e cheia de tintas quentes. E isso se deve à inevitável influência de Pedro Almodóvar que assina a produção. Em alguns momentos, Ortega até parece tentar emular alguns maneirismos do diretor espanhol. Sobretudo quando joga as luzes sobre a soberba Cecília Roth.

Há quem condene tratar a prática criminosa com glamour. “O Anjo” de fato exagera um pouco na dose. A história que já tem seu atrativo é trabalhada para se tornar ainda mais sedutora e esse esforço fica incômodo em alguns momentos. Nada que desabone o competente trabalho de Ortega e o ótimo desempenho do elenco.

O Anjo – um romance pulp com tintas quentes
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